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ED 075
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Lençóis em 3 dias, R$ 1.930 para o casal

A diária da Rua das Pedras contra a do Serrano, o guia do Pati cobrado por grupo e a taxa da Cachoeira da Fumaça

Casario colonial de Lençóis ao lado das lajes escuras do Rio Lençóis.

Rio Lençóis no Serrano, em Lençóis (BA)

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A 400 metros de altitude, na encosta leste da Serra do Sincorá, o Rio Lençóis desce por cima de lajes de pedra escura e passa a cinco minutos de caminhada da praça do centro. Da ponte velha, o visitante vê a água cor de chá escorrendo entre os blocos do Serrano e, atrás dela, o paredão da serra fechando o horizonte.

A cor vem das folhas e raízes da caatinga e do cerrado da serra. O rio carrega o tanino (a substância escura que também tinge o chá preto) e chega à cidade com tom de mate forte, transparente na mão e quase preto no poço fundo.

Lençóis nasceu do diamante. Garimpeiros chegaram à serra na década de 1840, as pedras saíam do cascalho dos rios, e a vila virou uma das mais ricas do interior da Bahia, com casarões de dois andares e escritório de compradores franceses.

O diamante acabou, e o casario ficou. O conjunto do centro foi tombado pelo Iphan (o instituto federal do patrimônio histórico) em 1973, e as fachadas coloridas da Rua das Pedras guardam hoje pousadas, restaurantes e agências de trilha.

Em 1985, o governo federal criou o Parque Nacional da Chapada Diamantina, com mais de 150 mil hectares de serra, vale e cachoeira. Lençóis fica na borda norte do parque, e quase todo passeio da região sai de uma das agências da cidade.

A cidade é pequena, com perto de 11 mil moradores, e se atravessa a pé em vinte minutos. O carro fica parado: as trilhas longas saem de jipe, de van ou com o guia, nas primeiras horas da manhã.

O roteiro desta edição cabe em 3 dias de um casal hospedado em Lençóis, já na cidade, sem carro próprio. Preços consultados em 19/10/2026, numa semana sem feriado.

A conta começa na agência da Rua das Pedras, onde o guia do Vale do Pati entrega o orçamento do dia inteiro.

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I  A Conta da Viagem

O guia, o jipe e a portaria da Fumaça

Os passeios dos 3 dias em Lençóis custam R$ 1.370 para o casal, sem contar a pousada. O guia e o transporte levam R$ 910 dessa conta, e a comida e a taxa da cachoeira somam R$ 460.

Guia do Vale do Pati, R$ 450. O guia credenciado cobra a diária pelo grupo inteiro, até seis pessoas. O casal sozinho paga o valor inteiro. Com mais quatro viajantes na mesma saída, o preço continua igual e se divide entre todos.

A trilha desce do Mirante do Pati, por cima do vale, até as casas dos moradores lá embaixo. O caminho tem bifurcações sem placa, rio para atravessar e pouca rede de celular, e as agências da cidade só montam a saída com guia junto.

Jipe até o Guiné, R$ 300. A entrada do Pati pelo norte fica no povoado do Guiné, a perto de 70 quilômetros de estrada de terra de Lençóis. O jipe leva o casal de madrugada, espera a volta da caminhada e cobra pelo carro, ida e volta.

As agências da Rua das Pedras juntam desconhecidos na mesma saída. Quem pede lugar num grupo aberto dois dias antes divide o guia e o jipe; quem decide na véspera costuma sair sozinho e pagar o carro cheio.

Transfer ao Vale do Capão, R$ 160. A trilha da Cachoeira da Fumaça pelo alto começa no Capão, a vila do outro lado da serra. A van coletiva sai de Lençóis cedo e retorna às 17h, a perto de R$ 80 por pessoa.

Taxa da Fumaça, R$ 40. Na entrada da trilha, a associação de moradores do Capão cobra perto de R$ 20 por pessoa. O valor paga a brigada de incêndio e a manutenção do caminho de 6 quilômetros, ida e volta.

No alto, o visitante deita de bruços na beira da pedra e olha para baixo. A queda passa de 300 metros, e o vento sobe pelo cânion com tanta força que a água vira névoa antes de chegar ao poço.

Em Lençóis, o casal sozinho paga o guia do Pati inteiro, e o grupo aberto da agência corta a conta pela metade.

O prato da Rua das Pedras

Comida, R$ 420. Três almoços de trilha, dois jantares e os lanches somam perto de R$ 140 por dia para os dois. O almoço do Pati sai na casa de um morador do vale, com arroz, feijão, abóbora e frango caipira, e entra no pacote do guia.

À noite, a Rua das Pedras abre as mesas na calçada. O prato da casa é o godó de banana verde (cozido de banana ainda dura com carne de sol), herança da cozinha dos garimpeiros, servido em panela de barro.

 
 

II  O Item Esquecido

O dinheiro vivo da trilha

O item esquecido em Lençóis é a nota de dinheiro em espécie. A cidade tem poucos caixas eletrônicos, e a fila da agência bancária da praça cresce no sábado de manhã.

Fora da cidade, o problema aumenta. A portaria da Fumaça, no Capão, fica numa casinha de madeira no começo do caminho, e o sinal de celular falha nos dias de nuvem baixa, levando junto o Pix e a maquininha do cartão.

No Pati, a rede some de vez. A casa do morador onde o grupo almoça vende o café, o suco e a cerveja gelada a dinheiro, e o caderno de anotação fica pendurado no prego da porta.

Notas trocadas, R$ 200. Duas notas de R$ 50 e cinco de R$ 20 cobrem a taxa da Fumaça, o lanche na casa do morador e a gorjeta do guia. O saque sai na véspera, ainda em Lençóis, de preferência na sexta à tarde.

A gorjeta não é obrigatória, mas entra no costume. O guia passa dez horas ao lado do casal, carrega o kit de primeiros socorros e escolhe a hora de voltar quando a chuva aparece na cabeceira do vale.

Em Lençóis, a trilha cobra em nota de papel, e o celular sem sinal não paga a taxa da Fumaça.

A lanterna de cabeça

Lanterna, R$ 60. O segundo esquecido acende antes do sol. O jipe do Guiné sai às 5h, a trilha da Fumaça pede começo cedo para fugir do calor, e o Serrano, à noite, não tem poste na beira do rio.

A loja de equipamento da Rua das Pedras vende a lanterna de cabeça por perto de R$ 60, o dobro da internet. Quem traz a própria de casa usa as duas mãos nas pedras da descida do Pati.

A sandália de rio entra na mesma mala. A travessia do Ribeirão do Meio e as lajes do Serrano escorregam com o limo, e o tênis molhado não seca de um dia para o outro no clima úmido da serra.

 

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III  Quanto Custa Dormir

A Rua das Pedras ou a beira do Serrano

Duas noites na Rua das Pedras custam R$ 560 para o casal. A pousada de casarão, com quarto de casal e café da manhã, cobra perto de R$ 280 por noite numa semana comum de outubro.

A localização compensa o barulho. O casal sai da porta direto para a agência, para o restaurante e para o ponto da van, e volta a pé da trilha sem pegar estrada.

O preço tem custo escondido: a música dos bares segue até perto da meia-noite na sexta e no sábado. Quem dorme cedo para o jipe das 5h pede o quarto dos fundos na reserva.

Duas noites na beira do Serrano, R$ 840. As pousadas da margem do Rio Lençóis, a dez minutos de caminhada do centro, cobram perto de R$ 420 por noite, com varanda virada para as lajes.

A diferença de R$ 280 compra o silêncio e o banho de rio antes do café. O casal desce de chinelo, entra no poço de água escura e ouve só a correnteza batendo na pedra.

O Serrano tem uma desvantagem prática. A rua de terra até a pousada não tem iluminação, e a volta do jantar pede a lanterna de cabeça do item esquecido.

Em Lençóis, a beira do Serrano custa R$ 280 a mais e troca o som do bar pelo da correnteza.

A ordem dos 3 dias

A Rua das Pedras serve quem quer tudo a pé e gasta a energia na trilha. O Serrano serve quem quer acordar com o rio e não se importa com a rua escura.

1. Saque o dinheiro em espécie na véspera e reserve lugar num grupo aberto para o Pati dois dias antes.

2. No primeiro dia, caminhe pelo Serrano e pelo Ribeirão do Meio, perto da cidade, sem guia nem transporte.

3. No segundo dia, pegue a van do Capão às 7h e suba a trilha da Fumaça antes do meio-dia.

4. No terceiro dia, saia de jipe às 5h para o Guiné e desça o Pati com o guia.

Os 3 dias em Lençóis fecham em R$ 1.930 para o casal na Rua das Pedras: R$ 450 de guia do Pati, R$ 300 de jipe, R$ 160 de van ao Capão, R$ 40 de taxa da Fumaça, R$ 420 de comida e R$ 560 de duas noites com café da manhã, cotação de 19/10/2026. Na beira do Serrano, a mesma viagem sobe para R$ 2.210.

★ RARO

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No Vale do Pati, o guia credenciado cobra a diária de R$ 450 por...

Apessoa, soma conforme o grupo cresce
Bgrupo inteiro, até seis pessoas
Ccasal, dobrando se vier mais gente
Ddia, só com grupo abaixo de três pessoas

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