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Ubatuba, 3 dias, R$ 1.260 por pessoa
Os 230 km desde São Paulo pela Tamoios, a pousada perto da Praia Grande, o ingresso do Tamar e a cancela cobrada por dia nas praias do norte
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A cancela de areia antes da praia
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Ubatuba fica a 230 quilômetros de São Paulo, e os últimos trinta descem a Serra do Mar em curva fechada pela Rodovia dos Tamoios. Da metade da descida já se vê o oceano abrindo entre morros de mata fechada, com a linha da praia lá embaixo e nenhuma cidade grande entre a serra e a água.
O município tem pouco mais de noventa mil habitantes e um litoral recortado de aproximadamente 100 praias catalogadas pela prefeitura. A maior parte do território fica dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, e a cidade cresceu espremida na faixa estreita que sobrou entre o morro e a areia.
O eixo da viagem é a BR-101, aqui chamada de Rio-Santos. Ela corta o município de ponta a ponta, com o centro no meio, as praias do sul indo na direção de Caraguatatuba e as do norte subindo rumo à divisa com Paraty.
Essa linha única de asfalto define a planilha antes do preço da pousada. Ir do centro até a Praia da Almada custa quarenta minutos de curva, e voltar no fim da tarde pega o trânsito de quem também está voltando.
O Projeto Tamar mantém base aberta à visitação em Ubatuba desde 1991, na Praia do Itaguá, colada no centro. O ingresso é individual e cobrado na bilheteria, sem passe que valha para o resto da viagem.
As praias do norte são a segunda linha que engana. Boa parte delas não tem estacionamento público na beira da areia, e o que existe é terreno particular com cancela e tabela pintada na madeira. A cobrança é por diária de veículo, não por hora, e sair para almoçar no centro significa pagar de novo na volta.
A escuna até a Ilha Anchieta fecha a conta pelo lado mais alto. O passeio parte do Saco da Ribeira e é vendido por pessoa, com valor cheio para cada ocupante do barco, o que quebra o rateio que funciona no carro e no quarto.
A conta que vem abaixo é de três dias e duas noites, por pessoa, em casal dividindo o mesmo quarto, com a estrada desde São Paulo, hospedagem, comida, o ingresso do Tamar, os estacionamentos das praias, a escuna da ilha e as miudezas separados um do outro. Preço consultado em 30/08/2026.
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I A Conta da Viagem
R$ 420 por dia no litoral norte
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Sete linhas fecham os três dias. Duas se resolvem antes de sair de casa, duas dependem de quantas praias o roteiro tenta cobrir e as outras três nascem depois que o carro desce a serra.
Três dias em Ubatuba fecham em R$ 1.260 por pessoa, ou R$ 420 por dia. A conta considera um casal dividindo o quarto, duas noites de pousada perto da Praia Grande, comida, o ingresso do Projeto Tamar, três diárias de estacionamento nas praias do norte, a escuna da Ilha Anchieta e a estrada pela Tamoios.
Estrada desde São Paulo, R$ 150. Combustível dos 460 quilômetros de ida e volta mais os pedágios da Tamoios, dividido por dois ocupantes do mesmo carro.
Pousada, R$ 480. Duas noites em pousada de rua transversal na região da Praia Grande, diária de casal em torno de R$ 480 com café da manhã. Dividida por dois, a noite sai a R$ 240.
Comida, R$ 330. Três dias a R$ 110, com almoço em quiosque de praia e jantar em restaurante de rua no centro. O café da manhã já vem na diária.
Escuna Ilha Anchieta, R$ 130. O passeio saindo do Saco da Ribeira, cobrado por pessoa embarcada, com parada para banho e tempo em terra na ilha.
Estacionamento nas praias, R$ 60. Três diárias de terreno particular na areia, de R$ 30 a R$ 50 por veículo, divididas por dois.
Projeto Tamar, R$ 50. O ingresso individual da base do Itaguá, válido para uma entrada.
Miudezas, R$ 60. Guarda-sol alugado no quiosque, água gelada na areia e as cobranças pequenas dos três dias.
Ficaram de fora o mergulho batizado na Ilha das Couves, o aluguel de prancha e a travessia de barco privativo. A divisão em proporção arredondada vem abaixo.
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A pousada sozinha custou R$ 480, mais que a estrada desde São Paulo, o ingresso do Tamar e os três dias de estacionamento somados. Dormir perto da Praia Grande pesou 38% da viagem, e é a linha que se decide primeiro, porque a oferta de quarto no centro esvazia rápido em fim de semana longo.
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Pousada: 38% do total
Comida: 26%
Estrada desde São Paulo: 12%
Escuna Ilha Anchieta: 10%
Estacionamento nas praias: 5%
Miudezas: 5%
Projeto Tamar: 4%
Três variáveis mexem no total com força. Quantos dias o carro fica num terreno particular, porque cada praia do norte tem sua cancela. Quantas pessoas embarcam na escuna, porque o barco cobra cabeça por cabeça. E a época do ano, porque a diária de R$ 480 vira outra planilha entre dezembro e o carnaval.
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II O Item Esquecido
A cancela de areia que cobra por diária
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Os estacionamentos das praias somaram R$ 60 por pessoa, 5% da viagem, e são a linha que ninguém coloca na planilha antes de descer a serra. O visitante calcula combustível, pedágio e pousada, imagina que o carro fica de graça na beira da praia, e encontra a tabela pintada na madeira com a cancela já na frente do capô.
A geografia explica a cobrança. As praias do norte ficam encaixadas entre o costão e a Rio-Santos, numa faixa estreita de terra plana. Essa faixa é loteada e privada, a rua pública acaba a duzentos metros da areia, e quem tem o terreno cobra pelo lugar do carro.
O que atrapalha não é o valor de uma cancela. É a soma delas, porque a faixa fica entre R$ 30 e R$ 50 por veículo, e o roteiro que visita Félix pela manhã e Almada à tarde paga duas vezes no mesmo dia.
A tabela muda de terreno para terreno. Alguns cobram diária cheia e devolvem o direito de sair e voltar, outros cobram cada entrada como se fosse nova, e há terreno que só aceita dinheiro em espécie, sem maquininha e com sinal fraco na cancela.
O horário de fechamento pesa mais que o preço. Boa parte dos terrenos fecha o portão às dezoito horas e cobra taxa de quem chega depois.
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"Tudo vale a pena se a alma não é pequena."
Fernando Pessoa, Mensagem, 1934
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O verso descreve o problema de orçamento com honestidade. A viagem compensa depois de somada, mas quem chega sem a soma feita passa três dias sendo surpreendido em cada portão de areia.
A ordem do roteiro resolve boa parte do custo. Concentrar as praias do norte num único dia paga uma diária de terreno e resolve quatro paradas, enquanto alternar norte e sul multiplica a cancela e o combustível na mesma proporção.
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R$ 60 de estacionamento contra R$ 50 de Projeto Tamar. O lugar do carro na areia custou mais que a visita à base de conservação de tartarugas aberta desde 1991, e nenhuma cancela aparece no site que vendeu a pousada.
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Duas perguntas resolvem a linha antes de fechar o roteiro. Quantas praias do norte o seu dia comporta, com dez quilômetros de curva entre uma e outra? E você tem dinheiro em espécie separado, ou vai negociar com o dono do terreno com o carro já na fila?
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