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Serra do Tepequém em 3 dias, R$ 2.560 para o casal

O carro alto, o guia das cachoeiras do garimpo, a pousada no platô e a comida levada de Boa Vista

Platô da Serra do Tepequém sobre o lavrado, em Amajari, Roraima.

Serra do Tepequém, Amajari (RR)

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A 200 km de Boa Vista, no município de Amajari, a Serra do Tepequém sobe do lavrado (a savana aberta de Roraima) até perto de 1.000 metros no ponto mais alto. Do mirante do platô se vê o capim dourado até o horizonte, as manchas de buriti nos baixios e, em dia limpo, as serras da fronteira com a Venezuela.

A viagem desde a capital segue pela BR-174 rumo ao norte e entra na RR-203 em direção a oeste. São perto de três horas de carro, com asfalto até o pé da serra e uma subida em curvas fechadas que leva à vila do Paiva, o povoado no alto do platô.

O nome Tepequém vem da língua dos povos indígenas da região e aparece nos registros como referência a uma serra de fogo ou de fumaça, pela neblina que cobre o topo nas manhãs de chuva. A tradução varia conforme a fonte, e nenhum dos registros fecha o sentido exato.

Foram os diamantes que trouxeram gente para o alto. A partir dos anos 1930, garimpeiros vindos do Nordeste e do Amazonas reviraram os córregos do platô com bateia, peneira e, mais tarde, jato de água e draga.

O garimpo deixou buracos, montes de cascalho lavado e trilhas que descem até os leitos de pedra. Décadas depois, quando o garimpo foi proibido na serra, as famílias ficaram, e as antigas frentes de lavra viraram o caminho das cachoeiras do Paiva, do Sobral e do Barata.

Os números abaixo valem para um casal que voa até Boa Vista, aluga um carro alto no aeroporto, sobe a serra na sexta pela manhã e desce no domingo à tarde. Os preços foram consultados em 01/11/2026.

A conta tem cinco linhas: o aluguel do carro, a gasolina, o guia das cachoeiras, as duas noites de pousada e a comida. A escolha que pesa mais aparece no carro: o modelo baixo chega à vila, mas fica parado na primeira rampa de terra vermelha rumo às quedas d'água.

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I  A Conta da Viagem

O carro alto e o guia do garimpo

Os três dias na Serra do Tepequém custam R$ 2.560 para o casal. O aluguel de um carro alto, a gasolina, um dia de guia pelas cachoeiras, duas noites de pousada no platô e a comida formam a conta, sem agência e sem as passagens até Boa Vista.

Carro alto, R$ 750. As locadoras do aeroporto de Boa Vista alugam utilitário compacto, com tração simples e vão livre alto, por perto de R$ 250 a diária, com seguro básico incluído. Os três dias somam R$ 750.

O carro alto não é luxo no Tepequém. As estradas que saem da vila do Paiva rumo às cachoeiras são de terra, com valetas cavadas pela chuva e rampas curtas de cascalho solto, e o carro de passeio bate o fundo nas lombadas de pedra.

Gasolina, R$ 360. A ida e a volta entre Boa Vista e a vila somam perto de 420 km, e os passeios no platô acrescentam mais 80 km de terra. Um utilitário compacto gasta perto de 50 litros nesses 500 km, a R$ 7,20 o litro nos postos da capital.

Na subida da serra o consumo aumenta. O motor trabalha em segunda marcha nas curvas fechadas, e o trecho de terra no platô é feito devagar, com o carro desviando de poças e de pedra exposta.

O guia das cachoeiras

Guia, R$ 300. As quedas d'água ficam em terrenos particulares e em antigas áreas de lavra, com trilhas sem placa. O guia da vila leva o casal a três cachoeiras num dia inteiro, por perto de R$ 300 o grupo, e cobra à parte as taxas de entrada que alguns sítios pedem.

A Cachoeira do Paiva fica perto da vila e tem poço raso de água escura, tingida pelas folhas. A do Sobral desce em degraus de pedra lisa. A do Barata pede a trilha mais longa, entre mata baixa e cascalho deixado pelos garimpeiros.

O guia conhece os atalhos entre as cavas, os buracos abertos pela lavra e escondidos pelo capim. Muitos deles são filhos ou netos de garimpeiro e contam onde cada família trabalhou, que córrego deu pedra e qual secou primeiro.

No Tepequém, a trilha das cachoeiras passa por dentro das cavas que os garimpeiros abriram atrás de diamante.

A soma do primeiro bloco fica em R$ 1.410: R$ 750 de carro, R$ 360 de gasolina e R$ 300 de guia levam o casal do aeroporto de Boa Vista ao poço da última cachoeira.

 
 

II  O Item Esquecido

O rancho comprado em Boa Vista

O item esquecido no Tepequém é o rancho, a compra de mercado feita na capital. O casal planeja o carro, a pousada e o guia, e só percebe no alto da serra que a vila tem poucas mercearias, com prateleira curta e preço de lugar isolado.

A vila do Paiva tem alguns restaurantes e pousadas com cozinha, mas o abastecimento sobe de Boa Vista em caminhonete, poucas vezes por semana. Fruta, pão, carne fresca e água mineral em galão somem das prateleiras rápido nos feriados.

Faça a compra num supermercado da capital antes de pegar a BR-174. Café, pão de forma, frios, frutas, castanhas, macarrão, água e o lanche das trilhas cabem numa caixa térmica no porta-malas e cobrem os cafés da tarde e os almoços nas cachoeiras.

O dinheiro vivo

O segundo esquecido é o dinheiro em espécie. O sinal de celular no platô é fraco e oscila com o tempo, e a maquininha de cartão de pousada, restaurante e guia muitas vezes não completa a transação.

Saque no centro de Boa Vista o valor do guia, das taxas de entrada e das refeições na vila. O Pix funciona quando há sinal, mas o casal não deve contar com ele na hora de pagar o guia na porta da cachoeira.

O repelente e a lanterna

O terceiro é o repelente contra o pium, o mosquito pequeno e escuro que pica de dia perto da água corrente. A picada coça por dias e aparece em grupo, nas canelas e nos braços de quem entra no poço sem proteção.

O quarto é a lanterna de cabeça. O platô não tem iluminação fora das poucas ruas da vila, e o mirante, onde o casal assiste ao sol baixar sobre o lavrado, fica a uma caminhada no escuro da pousada.

No Tepequém, a caixa térmica cheia em Boa Vista vale mais do que qualquer mercearia da serra.

Somados, o rancho, o dinheiro vivo, o repelente e a lanterna custam pouco na capital. Esquecidos, deixam o casal com o prato limitado, sem como pagar o guia, coçando as pernas ou descendo do mirante sem enxergar a trilha.

 

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III  Quanto Custa Dormir

Duas noites no platô

A diária de pousada na vila do Paiva custa perto de R$ 350 para o casal. As pousadas ficam no alto do platô, em casas de madeira e alvenaria com varanda, café da manhã regional incluído e estacionamento de terra.

O café costuma trazer tapioca, cuscuz, bolo de macaxeira (o nome local da mandioca), queijo e fruta da estação. É a refeição mais farta do dia e segura o casal até o lanche nas cachoeiras.

Duas noites somam R$ 700. A outra opção é dormir em Boa Vista e subir a serra no bate-volta, com diária perto de R$ 250 na capital, mas o casal soma seis horas de estrada por dia e perde as manhãs no platô.

A conta do bate-volta

Duas noites em Boa Vista custam R$ 500, R$ 200 a menos que a pousada. A gasolina sobe na mesma medida: quatro subidas e descidas a mais da serra somam perto de 400 km, e o tanque extra passa dos R$ 200 economizados.

Quem dorme no platô acorda com a neblina sobre a vila e sai às 7h para a primeira cachoeira, com a água ainda fria e a trilha vazia. Quem dorme na capital chega à vila depois das 10h, com o sol alto sobre o capim.

No Tepequém, a pousada no platô custa R$ 200 a mais que a capital e devolve duas manhãs inteiras na serra.

A comida

Comida, R$ 450. O rancho comprado em Boa Vista sai por perto de R$ 250 e cobre os lanches e os almoços nas trilhas. Os dois jantares num restaurante da vila, com peixe de rio, galinha caipira ou carne de sol, somam perto de R$ 200 para o casal.

A ordem dos três dias

1. Pegue o carro no aeroporto de Boa Vista na sexta às 7h, faça o rancho e saque o dinheiro do guia.

2. Siga pela BR-174 e pela RR-203, suba a serra e faça o check-in na vila do Paiva antes do almoço.

3. Caminhe até o mirante do platô à tarde, com lanterna para a volta.

4. No sábado, encontre o guia às 7h e visite as cachoeiras do Paiva, do Sobral e do Barata.

5. No domingo, tome o café da pousada, desça a serra e devolva o carro em Boa Vista antes das 17h.

Os três dias na Serra do Tepequém custam R$ 2.560 para o casal: R$ 750 de carro alto por três diárias com seguro básico, R$ 360 de gasolina para 500 km, R$ 300 de guia pelas cachoeiras, R$ 700 de duas noites de pousada no platô com café da manhã e R$ 450 de rancho e dois jantares, sem as passagens aéreas, cotação de 01/11/2026.

 
 
 

Quiz da edição

No Tepequém, qual é a diária do carro alto alugado no aeroporto de Boa Vista, já com seguro básico incluído?

AR$ 180
BR$ 400
CR$ 250
DR$ 320

Veja o ranking de quem mais acerta →

 

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