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Soure em 3 dias, R$ 2.520 o casal
A balsa de Belém a Camará com o carro, a pousada da vila contra a da praia, a charrete por hora e o queijo da fazenda
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Charrete de búfalo nas ruas de Soure
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A 43 minutos de grau ao sul do Equador e a perto de 80 quilômetros de Belém em linha reta, Soure aparece da balsa como uma faixa baixa de mangue e coqueiro na boca da Baía do Marajó. Dali não se vê morro nenhum, só a água marrom que encontra o mar e uma torre de igreja acima das mangueiras.
Soure fica na Ilha de Marajó, a maior ilha fluviomarinha do mundo (formada ao mesmo tempo por rio e por mar), e não tem ponte com o continente. Quem chega de Belém atravessa de barco, e o carro só vai junto se embarcar na balsa.
A travessia sai do Terminal de Icoaraci, a perto de 20 quilômetros do centro de Belém, e desembarca no porto de Camará, no município de Salvaterra. O trajeto leva perto de três horas e cruza a baía aberta, com onda quando o vento sopra do mar.
De Camará até Soure são perto de 30 quilômetros de estrada asfaltada, cortando campo alagado e fazenda de búfalo. Onde o asfalto acaba, o Rio Paracauari separa Salvaterra de Soure, e o carro atravessa numa segunda balsa, pequena, em dez minutos.
A cidade tem perto de 25 mil habitantes e ruas numeradas em grade. Nas esquinas, o búfalo divide a rua com a moto: puxa carroça de entrega, serve de montaria para a polícia militar e leva turista de charrete pela orla.
O búfalo chegou ao Marajó no fim do século 19 e virou a base da economia da ilha. Dele sai o leite do queijo do Marajó, o filé da mesa e a força de tração que o trator não alcança no campo alagado do inverno amazônico.
Do centro, três praias ficam a menos de meia hora de carro: Barra Velha, Araruna e Pesqueiro. A do Pesqueiro é a mais procurada, com barracas de palha e a maré que recua quase um quilômetro na vazante.
A conta a seguir cobre três dias e duas noites de um casal que sai de Belém de carro numa sexta de manhã, dorme na vila, passa uma tarde no Pesqueiro e volta no domingo com queijo no porta-malas. Valores consultados em 03/10/2026, para viagem em novembro de 2026.
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I A Conta da Viagem
A balsa que leva o carro inteiro
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Três dias em Soure custam R$ 2.520 para um casal que sai de Belém de carro, com as duas balsas, duas noites na vila, a charrete de búfalo e a comida. O que mais pesa é a balsa do carro; o que mais economiza é a pousada da vila.
Balsa, R$ 640. A balsa de Icoaraci a Camará cobra o carro de passeio separado das pessoas. O carro com motorista sai por perto de R$ 280 cada trecho, e a passageira paga perto de R$ 40 por trecho.
Ida e volta, a travessia grande soma R$ 640 para o casal com o carro. A empresa vende a vaga do veículo com dia e hora marcados, e a balsa leva poucas dezenas de carros por viagem.
A opção sem carro é o barco de passageiros, que faz o mesmo trajeto por perto de R$ 40 a pessoa. A conta cai, mas o casal passa a depender de van e mototáxi para cada praia e cada fazenda.
Estrada e balsinha, R$ 200. A segunda travessia, no Rio Paracauari, cobra perto de R$ 20 por trecho para o carro. O casal cruza quatro vezes em três dias, porque o porto de Camará e parte dos passeios ficam no lado de Salvaterra.
O combustível de Belém a Icoaraci, de Camará a Soure e das idas às praias soma perto de R$ 120 no fim de semana. As distâncias são curtas, e o tanque cheio em Belém dura até a volta.
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Com o carro na balsa, o casal paga R$ 640 de travessia e ganha três dias sem esperar van, sem dividir mototáxi e com porta-malas para o queijo.
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A charrete cobrada por hora
Charrete de búfalo, R$ 200. Os condutores esperam na orla de Soure e cobram perto de R$ 100 por hora a charrete, para até quatro pessoas. O passeio de duas horas cruza a vila, passa pelo curtume (oficina que transforma o couro cru em couro curtido) e termina no rio.
A cobrança por hora favorece quem decide o roteiro antes de subir. O casal que combina três paradas no ponto de saída paga duas horas; o que vai escolhendo pelo caminho costuma pagar três.
Comida, R$ 600. O casal gasta perto de R$ 200 por dia na ilha. O prato da casa é o filé marajoara, bife de búfalo coberto com queijo do Marajó derretido, que sai por perto de R$ 90 para dois nos restaurantes da orla.
Na barraca do Pesqueiro, o casquinho de caranguejo (carne de caranguejo temperada e servida na própria casca) custa perto de R$ 25 a unidade. Café da manhã vem incluído na pousada, e o almoço na praia substitui o jantar do sábado.
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II O Item Esquecido
A caixa térmica para o queijo
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O item que falta no porta-malas de quem volta de Soure é a caixa térmica. O queijo do Marajó viaja mal no calor de três horas de balsa, e quem não leva caixa compra uma de isopor na feira da vila pelo triplo do preço de Belém.
O queijo do Marajó é feito com leite de búfala coalhado, lavado e cozido com manteiga ou creme de leite, o que dá a massa macia que se corta de colher. Em 2021, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial reconheceu a Indicação de Procedência (selo que liga o produto ao lugar de origem) do queijo da ilha.
As fazendas que produzem recebem visita marcada. Na Fazenda Mironga, a perto de dez minutos do centro, o passeio mostra a ordenha das búfalas e a panela do cozimento, e custa perto de R$ 80 por pessoa.
O queijo comprado na porteira
Queijo, R$ 160. Na própria fazenda, o quilo do queijo do Marajó sai por perto de R$ 80. O casal leva duas peças de um quilo, embaladas a vácuo, uma para a casa e uma para dar de presente.
Em Belém, nos supermercados e no Ver-o-Peso, o mesmo quilo passa de R$ 120. A diferença paga metade da visita, e o queijo da porteira saiu da panela no mesmo dia.
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A caixa térmica de R$ 40 comprada em Belém, com dois blocos de gelo reutilizável, segura o queijo firme da porteira da fazenda até a geladeira de casa.
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O queijo aguenta até quatro horas fora da geladeira se ficar na caixa fechada. O tempo inteiro da volta, da fazenda ao porto, a fila da balsa, a travessia e o trânsito de Icoaraci, passa de cinco horas.
Fecham a lista dois itens que a vila vende caro ou não vende. O primeiro é repelente forte contra o maruim (mosquito minúsculo que pica ao entardecer perto do mangue); o segundo é dinheiro vivo, porque a maquininha da barraca de praia perde o sinal com frequência.
A caixa e o gelo somam R$ 40 e ficam fora da conta, porque voltam para casa e servem na próxima viagem de carro.
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