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Macapá em 3 dias, R$ 4.166 com o voo do casal

O Marco Zero e a Fortaleza sem ingresso, o almoço no Mercado Central e a corrida até o Quilombo do Curiaú

Monumento Marco Zero do Equador, com a linha pintada no chão, em Macapá, Amapá.

Marco Zero do Equador, em Macapá (AP)

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A 0 grau de latitude, na margem norte do Rio Amazonas, Macapá fica a 16 metros acima do nível do rio. No Marco Zero, ao sul do centro, uma faixa pintada no chão separa o Hemisfério Norte do Hemisfério Sul, e o visitante põe um pé em cada lado.

A capital do Amapá não tem estrada que a ligue a outra capital do país. Entre a cidade e Belém ficam a foz do Amazonas e o arquipélago do Marajó, e quem não chega de avião passa perto de 24 horas num barco de linha.

Em terra, a cidade é curta. O aeroporto fica a perto de 4 quilômetros do centro, a Fortaleza de São José de Macapá ocupa a beira do rio e o Mercado Central fica a poucas quadras dela.

Os portugueses ergueram o forte entre 1764 e 1782 para guardar a entrada do Amazonas contra franceses, ingleses e holandeses. As muralhas de pedra ainda dominam a orla, e o gramado em volta virou ponto de encontro no fim da tarde.

A Avenida Beira-Rio acompanha o Amazonas, largo a ponto de a outra margem sumir no horizonte. No pôr do sol, o Trapiche Eliezer Levy, um píer comprido de concreto que avança sobre a água, enche de gente olhando o céu ficar vermelho sobre o rio barrento.

A 8 quilômetros do centro, o Quilombo do Curiaú guarda campos alagados, búfalos soltos e a comunidade negra que dança o marabaixo (roda de tambor e canto herdada dos africanos escravizados) desde o tempo da construção da fortaleza.

Os valores desta edição cobrem três dias e duas noites de um casal em outubro, com voo de ida e volta saindo de Guarulhos numa semana sem feriado. Preços consultados em 17/10/2026.

Por causa do isolamento, o maior gasto da viagem aparece semanas antes do embarque, na tela da companhia aérea.

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I  A Conta da Viagem

O bilhete, o mercado e a corrida

A resposta de ontem

De onde vem o nome Aracaju?

O nome vem do tupi e costuma ser traduzido como cajueiro dos papagaios: ará, a arara ou o papagaio, e acaiú, o caju. O povoado de Santo Antônio do Aracaju, na barra do Rio Sergipe, já levava o nome dos cajueiros cheios de aves quando Inácio Joaquim Barbosa transferiu a capital para lá em 1855.

Três dias em Macapá custam R$ 4.166 para um casal, com voo e hotel no centro. A passagem aérea leva R$ 2.800, e o resto da viagem soma R$ 1.366.

Voo, R$ 2.800. Na consulta, o trecho de ida e volta entre Guarulhos e Macapá ficou perto de R$ 1.400 por pessoa, com conexão em Brasília ou em Belém. Poucas companhias voam para a cidade, e a tarifa sobe rápido quando os assentos baratos acabam.

A compra antecipada pesa mais aqui do que em qualquer outra linha do roteiro. Uma diferença de R$ 300 por bilhete, comum entre a tarifa de um mês antes e a da última semana, paga uma noite inteira de hotel para o casal.

Aeroporto, R$ 40. O Aeroporto Internacional de Macapá fica dentro da malha urbana. A corrida de aplicativo até um hotel do centro custa perto de R$ 20, e a volta, no último dia, repete o valor.

Marco Zero, R$ 36. O monumento fica na Rodovia Juscelino Kubitschek, a perto de 6 quilômetros do centro, e a entrada é gratuita. A corrida custa perto de R$ 18 por trecho.

O Marco Zero é um obelisco de concreto vazado com um círculo no alto. Nos equinócios de março e de setembro, o sol do meio-dia passa pela abertura e joga a luz bem em cima da linha pintada no chão.

Do outro lado da rodovia fica o Estádio Milton Corrêa, o Zerão. A linha do meio-campo coincide com o Equador, e cada time defende o gol de um hemisfério.

Fortaleza, R$ 0. A Fortaleza de São José de Macapá abre ao público com entrada gratuita. As muralhas formam um quadrado com quatro baluartes (as pontas em forma de flecha nos cantos, feitas para os canhões cruzarem fogo), e do baluarte voltado para o rio se vê o Amazonas de ponta a ponta.

Em Macapá, o ingresso mais caro do roteiro é o avião; o Marco Zero e a fortaleza abrem de graça.

O almoço do mercado

Mercado Central, R$ 120. O Mercado Central de Macapá, aberto em 1953, fica a duas quadras da fortaleza. O almoço do casal sai com filhote frito (peixe grande de rio, de carne branca e firme), arroz, farinha d'água e açaí batido sem açúcar.

No Norte, o açaí chega à mesa grosso, frio e sem xarope, para comer com farinha e peixe. Quem pede a versão doce, com granola e leite condensado, ganha um olhar curioso do balcão.

Curiaú, R$ 50. O Quilombo do Curiaú fica a 8 quilômetros do centro, pela rodovia que segue para o norte. A corrida custa perto de R$ 25 por trecho, e ida e volta somam R$ 50.

Outras refeições, R$ 480. Dois almoços, três jantares e o tacacá do fim da tarde (caldo quente de tucupi, o sumo amarelo da mandioca, servido com camarão seco) ficam nesse valor. O café da manhã vem com a diária.

 
 

II  O Item Esquecido

O chapéu do Equador

O item esquecido em Macapá é o chapéu de aba larga. Na latitude zero, o sol do meio-dia passa quase a pino o ano inteiro, e a sombra do corpo encolhe até os pés.

Em outubro, a cidade atravessa os meses mais secos, com céu aberto e calor acima de 30 graus à tarde. O vento do rio refresca a orla e esconde a força do sol de quem caminha pela Beira-Rio.

No Marco Zero não há árvore perto da linha pintada. A foto com um pé em cada hemisfério forma fila nos fins de semana, e a espera acontece sob sol direto.

Na Fortaleza de São José, o pátio interno é aberto, e as muralhas só fazem sombra no começo da manhã e no fim da tarde. Entre 11h e 14h, a volta pelos baluartes vira uma caminhada sem abrigo.

Protetor solar, R$ 60. O frasco comprado numa farmácia do centro custa perto de R$ 60. Reaplicado a cada duas horas, ele segura a pele até a volta para o hotel.

O tacacá também conversa com o calor. O jambu do caldo (folha amazônica que deixa a boca dormente por alguns minutos) chega fervendo na cuia, e o paraense e o amapaense tomam a tigela no fim da tarde, quando o sol já baixou.

Em Macapá, a sombra do corpo some ao meio-dia, e o chapéu vira o único teto do passeio.

O repelente do Curiaú

Repelente, R$ 30. O segundo esquecido vai na bolsa do passeio ao quilombo. O Curiaú fica numa área de campos alagados, protegida desde 1998 como Área de Proteção Ambiental do Rio Curiaú, e os mosquitos aparecem quando a luz cai.

Na comunidade, a Igreja de São Joaquim marca o centro do povoado. Nas festas do santo, as rodas de marabaixo e de batuque ocupam o terreiro, com as mulheres de saia rodada e os tambores de couro.

Os búfalos pastam soltos nos campos da beira da estrada, e o banho de rio acontece nas águas escuras e calmas do Curiaú, longe da correnteza do Amazonas.

Quem volta à cidade antes do anoitecer ainda pega o pôr do sol no trapiche, com o repelente na pele e o chapéu guardado na mochila.

 

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III  Quanto Custa Dormir

Beira-Rio contra o bairro

A diária de casal num hotel do centro, perto da Avenida Beira-Rio, custa perto de R$ 320 em outubro, com café da manhã. Duas noites somam R$ 640.

Os hotéis dessa faixa ficam a poucas quadras do rio, da fortaleza e do Mercado Central. O casal sai a pé para o almoço e volta a pé do tacacá.

Bairro, R$ 380. Nas pousadas dos bairros residenciais, longe da orla, o quarto de casal cobra perto de R$ 190 a diária. Duas noites somam R$ 380, R$ 260 a menos do que no centro.

A economia encolhe com as corridas. Do bairro até a orla, o aplicativo cobra perto de R$ 15 por trecho, e quatro trechos em dois dias somam R$ 60. Com o transporte, a hospedagem afastada chega a R$ 440.

No centro, a noite acontece na beira do rio: o trapiche iluminado, os quiosques de tacacá e o calçadão da Beira-Rio com gente caminhando até tarde. Nos bairros, as ruas esvaziam depois do jantar.

Com o voo em R$ 2.800, a diferença entre os dois hotéis representa perto de 5% da viagem. Em Macapá, o quarto pesa pouco, e a escolha do bairro pode seguir o roteiro, não o preço.

Em Macapá, a pousada do bairro economiza R$ 200 em duas noites, e o hotel do centro devolve o rio na porta.

A ordem dos dias

O centro serve quem quer a fortaleza ao amanhecer e o mercado na hora do almoço. O bairro serve quem chega para visitar parentes e passa pouco tempo na orla.

1. Compre o voo com um mês de antecedência e compare as conexões por Brasília e por Belém.

2. Reserve a manhã do primeiro dia para a fortaleza e o almoço para o Mercado Central.

3. Vá ao Marco Zero cedo no segundo dia, com o sol ainda baixo, e passe no Zerão na volta.

4. Deixe a tarde do terceiro dia para o Curiaú, com repelente e chapéu na bolsa.

Três dias em Macapá custam R$ 4.166 para o casal com hotel no centro: R$ 2.800 de voo, R$ 40 de aeroporto, R$ 36 de Marco Zero, R$ 120 de Mercado Central, R$ 50 de Curiaú, R$ 480 de outras refeições e R$ 640 de duas noites com café da manhã, cotação de 17/10/2026. A Fortaleza de São José e o Marco Zero entram de graça.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Qual engenheiro desenhou a Fortaleza de São José, erguida entre 1764 e 1782?

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