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ED 037
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Presidente Figueiredo, 3 dias, R$ 1.140 por pessoa

Os 107 km desde Manaus pela BR-174, a pousada da vila, o ingresso cobrado cachoeira por cachoeira e o trecho fechado das 18h às 6h

A BR-174 ao norte de Manaus cortando mata alta fechada, com paredão de arenito na borda da pista.

A BR-174 ao norte de Manaus no fim da tarde

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Presidente Figueiredo fica a 107 quilômetros ao norte de Manaus pela BR-174, a pouco mais de 100 metros acima do nível do mar, no ponto em que o asfalto encosta no arenito que sustenta as quedas d'água da região. Do acostamento, no meio da tarde, vê-se a mata alta fechada dos dois lados da pista e nenhuma placa de posto por dezenas de quilômetros seguidos.

A distância engana pela proximidade. São menos de duas horas de estrada asfaltada desde a capital, o que faz muita gente tratar o destino como bate-volta de um dia. A conta de três dias é outra, e começa a mudar já na primeira curva depois do trevo de saída de Manaus.

A vila é pequena e concentra quase toda a hospedagem em pousadas simples de beira de rua, com diária de casal em faixa baixa e café da manhã incluso. O quarto barato costuma ser a linha que menos assusta na planilha da viagem, e quase nunca é ela que estoura o total.

As cachoeiras mudam a lógica. Quase todas ficam dentro de sítio particular, cada uma com portaria própria, horário próprio e ingresso próprio, cobrado por pessoa na entrada. Visitar sete quedas em três dias significa pagar sete vezes, em sete guichês diferentes, quase sempre em dinheiro vivo.

Some a distância entre uma queda e outra. Os sítios se espalham por dezenas de quilômetros ao longo da rodovia e de ramais de terra que saem dela, e nenhum deles tem linha regular de ônibus até a porteira. O deslocamento local vira linha cheia na conta, não detalhe do trajeto.

E existe um horário que manda em todo o roteiro. Ao norte da vila, a BR-174 atravessa a Terra Indígena Waimiri-Atroari num trecho longo com portões nas duas pontas, fechado das 18h às 6h, sem exceção para turista, caminhoneiro ou ônibus de linha. Quem passa da hora dorme onde estiver.

A conta que vem abaixo é de três dias e duas noites, por pessoa, em casal dividindo o mesmo quarto, com o deslocamento desde Manaus, a pousada da vila, os ingressos das cachoeiras, o transporte local até os sítios e as refeições separadas linha a linha. Valores consultados em 11/09/2026.

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I  A Conta da Viagem

R$ 380 por dia na terra das quedas d'água

Seis linhas fecham os três dias em Presidente Figueiredo. Uma se resolve em Manaus, três se pagam na vila e duas só aparecem na porteira de cada sítio, em dinheiro vivo.

Três dias em Presidente Figueiredo fecham em R$ 1.140 por pessoa, ou R$ 380 por dia. A conta considera um casal dividindo o quarto, duas noites de pousada simples na vila, o deslocamento de ida e volta desde Manaus pela BR-174, os ingressos de sete cachoeiras, o transporte local até os sítios e as refeições fora do café da manhã.

Pousada na vila, R$ 260. Duas noites em pousada de porte pequeno no centro da vila, diária de casal em torno de R$ 260 com café da manhã e ar-condicionado no quarto. Dividida por dois, a noite sai a R$ 130.

Transporte local até os sítios, R$ 240. Os ramais de terra que saem da BR-174 até cada porteira, em carro alugado com combustível rateado por dois ocupantes ou em van contratada por dia de passeio.

Ingresso das cachoeiras, R$ 210. Sete quedas visitadas em três dias, cobradas por pessoa na entrada de cada sítio particular, em faixa de R$ 20 a R$ 40 por portaria.

Manaus a Presidente Figueiredo, ida e volta, R$ 180. Os 107 quilômetros da BR-174 em cada sentido, em van de linha ou ônibus rodoviário, com a passagem cobrada por cabeça nos dois trechos.

Refeições fora do café, R$ 180. Almoço e jantar dos três dias em restaurante de prato feito da vila e na lanchonete de beira de estrada, com bebida na conta.

Guia e miudezas, R$ 70. Guia local contratado num dos dias, repelente, sapato de trilha e cobranças pequenas.

Ficaram de fora a passagem aérea até Manaus e a noite extra na capital. A divisão arredondada vem abaixo.

A pousada da vila custou R$ 260 e pesou 23% da viagem, e é a única linha que se divide inteira entre duas pessoas. Tudo mais na conta cobra por cabeça, e é por causa disso que a viagem de três dias não fica proporcionalmente mais barata quando o casal vira trio.

Pousada na vila: 23% do total

Transporte local até os sítios: 21%

Ingresso das cachoeiras: 18%

Manaus a Presidente Figueiredo, ida e volta: 16%

Refeições fora do café: 16%

Guia e miudezas: 6%

Três variáveis mexem no total com força. Quantas cachoeiras entram no roteiro, porque cada portaria cobra inteira e por pessoa. Como se anda entre os sítios, porque carro alugado divide e van de passeio cobra por assento. E a hora de voltar, porque o portão do trecho indígena ao norte fecha às 18h e não abre por pedido.

 
 

II  O Item Esquecido

O ingresso que se paga sete vezes

Os ingressos das cachoeiras saíram por R$ 210 por pessoa, 18% da viagem, e nenhum deles estava na reserva da pousada. Quase toda queda d'água visitável da região fica dentro de propriedade particular, com o dono cobrando a entrada na porteira, por pessoa, em faixa de R$ 20 a R$ 40, quase sempre só em dinheiro.

A cobrança tem lógica de operação, não de ganância. O sítio mantém a trilha limpa, a escada de madeira até o poço, o banheiro, o estacionamento de chão batido e um funcionário na portaria o dia inteiro, mesmo nos dias em que passam duas pessoas.

A armadilha é aritmética. Um roteiro de três dias visita entre seis e oito quedas, e cada uma cobra o valor cheio por cabeça.

"A Amazônia é a última página, ainda a escrever-se, do Gênesis."

Euclides da Cunha, À Margem da História, 1909

Três dias com o deslocamento desde Manaus, o transporte local até os sítios e os ingressos das cachoeiras custam R$ 630 por pessoa só em chegar e entrar, 55% da viagem inteira. Quem monta a conta somando passagem mais diária erra mais da metade do total, e descobre a diferença na primeira porteira, num lugar onde a maquininha depende de sinal que vai e volta.

Duas perguntas resolvem a linha antes de sair de Manaus. Quantas quedas cabem de verdade no roteiro de cada dia, considerando a distância entre as porteiras e o horário de fechamento de cada sítio? E quanto cobra a entrada de cada uma delas, contada uma a uma, e não pela média que alguém citou numa conversa?

Existe um detalhe de horário que reorganiza o roteiro e não custa nada. A parte da BR-174 ao norte da vila corta a Terra Indígena Waimiri-Atroari e fica fechada das 18h às 6h, com portão nas duas pontas. A regra vale para quem segue a Roraima, e prende a agenda de quem pensa em esticar o passeio para o norte.

 

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III  Quanto Custa Dormir

A pousada da vila e o que ela não serve

As duas noites saíram por R$ 260 por pessoa, 23% do total da viagem. A pousada da vila é a maior linha da conta e, ao mesmo tempo, a mais barata em termos absolutos de todos os destinos de natureza do Amazonas, porque entrega quarto e café da manhã e para por aí.

A região tem três bases com rotinas distintas. A pousada no centro da vila cobra a diária mais baixa, fica perto do comércio, do posto de combustível e do ponto de van, e deixa o hóspede a 20 ou 40 minutos de carro da maioria das porteiras. A pousada de sítio, dentro da própria propriedade com cachoeira, cobra mais, embute a entrada da queda de casa e resolve o banho de manhã cedo sem ninguém por perto. E o bate-volta desde Manaus elimina a diária, ao custo de quatro horas de estrada no mesmo dia.

A faixa da vila fica entre R$ 180 e R$ 320 na diária de casal em setembro, com café da manhã e estacionamento no pátio. O que decide a noite é o ar-condicionado e a distância até a rodovia. A pousada de sítio começa perto de R$ 420 e costuma exigir mínimo de duas noites.

A pousada de sítio custa R$ 420 a diária de casal, R$ 160 a mais por noite que a da vila. Ela devolve parte da diferença no ingresso da própria queda, que já vem incluso, e na hora de estrada que se deixa de rodar por dia, e vira negócio melhor para quem só quer duas ou três cachoeiras sem pressa.

O calendário move a faixa mais que a categoria. Entre dezembro e maio chove forte no Amazonas, o volume das quedas sobe, parte dos poços fecha para banho por segurança e alguns ramais de terra ficam intransitáveis para carro baixo. Entre junho e novembro a chuva afrouxa, a água clareia, todas as porteiras abrem e a diária da vila sobe de patamar nos fins de semana prolongados.

1. Conte as porteiras do roteiro uma a uma e some os valores antes de reservar o carro. Sete entradas a R$ 30 pesam mais que uma noite de pousada, e o número não aparece em nenhum site de reserva.

2. Leve dinheiro vivo na cédula certa. As portarias dos sítios cobram em espécie, o troco é limitado, o caixa eletrônico da vila é um só e o sinal de celular some em boa parte dos ramais de terra.

3. Decida cedo entre carro alugado e van de passeio. O carro divide o custo entre os ocupantes e libera o horário; a van cobra por assento e prende o grupo na agenda do motorista.

4. Respeite o portão das 18h se o plano incluir subir para o norte. O trecho da BR-174 dentro da Terra Indígena Waimiri-Atroari fecha das 18h às 6h, com portão nas duas pontas, e não existe combinação possível com quem controla a passagem.

A conta de Presidente Figueiredo não se ganha na diária da pousada. Ela se ganha no número de porteiras que entram no roteiro e no jeito de rodar entre elas, porque o quarto cobra por noite e se divide entre duas pessoas, e cada cachoeira cobra por cabeça, todos os dias, em dinheiro.

Três dias fecham em R$ 1.140 por pessoa, com as duas noites de pousada simples na vila, o café da manhã incluso, o deslocamento de ida e volta entre Manaus e Presidente Figueiredo pelos 107 quilômetros da BR-174, o transporte local pelos ramais até as porteiras, os ingressos de sete cachoeiras cobrados por pessoa, as refeições de almoço e jantar e as miudezas já dentro do total, cotação de 11/09/2026.

"Quantas entradas por pessoa o seu próximo roteiro tem, e quantas delas você já somou de verdade?"

 
 

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