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O item esquecido em São Cristóvão é a sacola para levar doce. O casal sai de Aracaju de mãos vazias, e na porta do convento descobre a queijada, o doce que dá fama à cidade.
A queijada de São Cristóvão é uma forminha de massa fina de trigo, assada com recheio de coco ralado, ovo e açúcar. Apesar do nome, a receita da cidade não leva queijo: o nome vem das queijadas portuguesas, que levavam, e ficou na versão sergipana.
As doceiras vendem em tabuleiros na calçada do Convento do Carmo e da Praça São Francisco, e em casas abertas na cidade alta, onde a família assa na cozinha dos fundos e vende pela janela da frente.
Queijadas, R$ 30. A unidade custa perto de R$ 1,50, e a dúzia, perto de R$ 15. O casal come algumas na praça e leva duas dúzias para casa.
A caixa de papelão
O doce é frágil. A massa quebra e o recheio gruda, e a queijada levada solta na bolsa chega a Aracaju em migalhas, misturada com a chave e o celular.
Algumas doceiras embalam em saco plástico fino, outras em papel de pão. Uma caixa de papelão rasa ou um pote com tampa, trazido de casa, mantém as duas dúzias inteiras na hora e meia de ônibus lotado da volta.
O dinheiro trocado
O segundo esquecido é o troco. Parte das doceiras da calçada vende só em espécie, e a nota de R$ 100 não encontra troco num tabuleiro de queijada.
O casal que chega com R$ 50 em notas pequenas e moedas compra o doce, paga o ônibus sem cartão e deixa uma gorjeta para o zelador que abre a igreja fechada fora do horário.
Na cidade alta há poucos caixas eletrônicos, e o sinal do celular oscila dentro dos museus de paredes grossas, o que derruba a maquininha de cartão das lojas pequenas.
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Em São Cristóvão, o doce se compra com moeda e volta para casa numa caixa.
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O chapéu da praça
O terceiro é o chapéu. A Praça São Francisco é aberta, de pedra clara, com pouca sombra no meio da tarde, e o sol de outubro em Sergipe aquece o calçamento como um forno.
Somados, a caixa, o troco e o chapéu cabem numa bolsa pequena e custam quase nada em casa. Esquecidos, deixam o casal com doce esfarelado, sem troco no tabuleiro e com a pele queimada.
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