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São Cristóvão em 1 dia, R$ 182 para o casal

O ônibus metropolitano, a Praça São Francisco, o museu no antigo palácio e a queijada do convento

Praça São Francisco, com igreja e convento em São Cristóvão, Sergipe.

Praça São Francisco, São Cristóvão (SE)

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A 25 quilômetros do centro de Aracaju, pela rodovia que corta os mangues do Vaza-Barris, a cidade de São Cristóvão sobe uma colina sobre o rio Paramopama. Do alto, no adro da Igreja Matriz, se vê o telhado de telha vã da cidade baixa e o rio correndo para o mangue.

A cidade foi fundada em 1590 por Cristóvão de Barros, o capitão português que conquistou a região dos indígenas tupinambás, e é uma das mais antigas do Brasil. Foi a capital de Sergipe por mais de dois séculos e meio.

Em 1855, o presidente da província, Inácio Barbosa, mudou a capital para Aracaju, um povoado de pescadores na foz do rio Sergipe com porto mais fundo para os navios do açúcar. A sede do governo desceu a serra, e São Cristóvão parou no tempo.

A parada salvou a cidade alta. Sem dinheiro para derrubar e reconstruir, os moradores mantiveram as igrejas, os sobrados e o calçamento de pedra como estavam no século 19. Em 2010, a Unesco inscreveu a Praça São Francisco na lista do Patrimônio Mundial.

A cidade baixa cresceu em volta da fábrica de tecidos e da linha de trem, hoje paradas. A cidade alta, com as igrejas e os museus, ficou quase do tamanho que tinha quando o governo foi embora, e se atravessa a pé em meia hora.

O roteiro desta edição é de um casal hospedado em Aracaju que passa um dia útil na cidade velha, sem carro, indo e voltando de ônibus, com preços consultados em 27/10/2026.

O dia tem horário. Os museus abrem de terça a domingo e fecham no meio da tarde, e a cidade alta esvazia depois das 17h, quando os ônibus de volta vão lotados de estudantes da universidade federal, que tem um campus no município.

A conta tem quatro linhas: a passagem do ônibus, o ingresso dos museus, o almoço e a sacola de queijadas. A primeira começa no ponto de ônibus do centro de Aracaju.

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I  A Conta da Viagem

O ônibus, a praça e o palácio

A resposta de ontem

De onde vem o nome Taquaruçu?

O nome vem do tupi taquara-uçu, a taquara grande: o bambu nativo de colmo grosso, do gênero Guadua, que forma touceiras na beira do ribeirão Taquaruçu. O ribeirão batizou o povoado antes de Palmas existir, e a vila virou distrito da capital depois da criação do Tocantins, em 1988.

O dia inteiro em São Cristóvão custa R$ 182 para o casal. Ônibus de ida e volta, dois museus, almoço e a sacola de doce formam a conta, sem táxi e sem guia pago.

Ônibus, R$ 22. A linha metropolitana sai do centro de Aracaju e leva perto de uma hora até a cidade baixa de São Cristóvão. A passagem custa perto de R$ 5,50 por pessoa em cada trecho, paga no cartão ou em dinheiro trocado.

A ida e a volta do casal somam quatro passagens. O ônibus para perto da estação ferroviária desativada, na parte baixa, e de lá a subida até a praça leva perto de dez minutos a pé, por uma ladeira de pedra.

Quem prefere não subir a pé encontra mototáxi no ponto da cidade baixa, a perto de R$ 5 por corrida. O casal que sobe andando guarda esse dinheiro para o doce e para a água gelada no alto.

A ladeira pede calçado fechado. As pedras do calçamento são irregulares, e o salto fino ou a sandália de sola lisa escorregam nos trechos mais inclinados.

A praça das duas coroas

A Praça São Francisco foi desenhada no tempo da União Ibérica (os 60 anos, de 1580 a 1640, em que o rei da Espanha governou também Portugal). Por isso segue o traçado espanhol: um quadrado aberto, cercado pelos prédios do poder civil e religioso.

De um lado fica a Igreja e o Convento de São Francisco; ao redor, a Santa Casa de Misericórdia e o antigo Palácio Provincial, sede do governo de Sergipe até a mudança da capital. Foi esse conjunto, raro no Brasil, que a Unesco reconheceu.

Na Praça São Francisco, a capital foi embora e o desenho espanhol ficou.

O palácio virou museu

Museus, R$ 40. O antigo Palácio Provincial abriga o Museu Histórico de Sergipe, com mobília do governo imperial, retratos dos presidentes da província e objetos da vida na capital velha. O ingresso custa perto de R$ 10 por pessoa.

No convento, do outro canto da praça, funciona o Museu de Arte Sacra, com imagens de santos em madeira e prata dos séculos 17 a 19. O ingresso custa perto de R$ 10 por pessoa, e a visita aos dois museus ocupa a manhã.

A soma da manhã fica em R$ 62: R$ 22 de ônibus e R$ 40 de ingresso levam o casal da rodoviária ao salão do palácio.

 
 

II  O Item Esquecido

A queijada da porta

O item esquecido em São Cristóvão é a sacola para levar doce. O casal sai de Aracaju de mãos vazias, e na porta do convento descobre a queijada, o doce que dá fama à cidade.

A queijada de São Cristóvão é uma forminha de massa fina de trigo, assada com recheio de coco ralado, ovo e açúcar. Apesar do nome, a receita da cidade não leva queijo: o nome vem das queijadas portuguesas, que levavam, e ficou na versão sergipana.

As doceiras vendem em tabuleiros na calçada do Convento do Carmo e da Praça São Francisco, e em casas abertas na cidade alta, onde a família assa na cozinha dos fundos e vende pela janela da frente.

Queijadas, R$ 30. A unidade custa perto de R$ 1,50, e a dúzia, perto de R$ 15. O casal come algumas na praça e leva duas dúzias para casa.

A caixa de papelão

O doce é frágil. A massa quebra e o recheio gruda, e a queijada levada solta na bolsa chega a Aracaju em migalhas, misturada com a chave e o celular.

Algumas doceiras embalam em saco plástico fino, outras em papel de pão. Uma caixa de papelão rasa ou um pote com tampa, trazido de casa, mantém as duas dúzias inteiras na hora e meia de ônibus lotado da volta.

O dinheiro trocado

O segundo esquecido é o troco. Parte das doceiras da calçada vende só em espécie, e a nota de R$ 100 não encontra troco num tabuleiro de queijada.

O casal que chega com R$ 50 em notas pequenas e moedas compra o doce, paga o ônibus sem cartão e deixa uma gorjeta para o zelador que abre a igreja fechada fora do horário.

Na cidade alta há poucos caixas eletrônicos, e o sinal do celular oscila dentro dos museus de paredes grossas, o que derruba a maquininha de cartão das lojas pequenas.

Em São Cristóvão, o doce se compra com moeda e volta para casa numa caixa.

O chapéu da praça

O terceiro é o chapéu. A Praça São Francisco é aberta, de pedra clara, com pouca sombra no meio da tarde, e o sol de outubro em Sergipe aquece o calçamento como um forno.

Somados, a caixa, o troco e o chapéu cabem numa bolsa pequena e custam quase nada em casa. Esquecidos, deixam o casal com doce esfarelado, sem troco no tabuleiro e com a pele queimada.

 

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III  Quanto Custa Dormir

O sobrado ou a orla

Quem faz o bate e volta dorme em Aracaju, e a diária na orla de Atalaia custa perto de R$ 300 para o casal. Os hotéis da avenida da praia oferecem quarto de casal com café da manhã e piscina, a poucas quadras do mar.

São Cristóvão tem poucas pousadas, a maioria em casas antigas da cidade alta, com quartos simples e café caseiro. A diária fica perto de R$ 200 para o casal, mas a cidade dorme cedo.

Depois das 19h, a praça fica vazia, os restaurantes do centro histórico fecham, e o jantar depende de lanchonete na cidade baixa.

Dormir no casario

A pousada no sobrado vale num caso: o fim de semana da Festa de Senhor dos Passos, a procissão da Quaresma que enche a cidade de romeiros e transforma a ladeira em caminho de penitência.

Nos outros dias do ano, dormir em São Cristóvão economiza perto de R$ 100 na diária e a passagem da volta, mas tira do casal a noite na orla, o caranguejo da Passarela do Caranguejo e a caminhada na beira do mar.

Em São Cristóvão, o dia cabe na cidade alta e a noite volta para a orla.

O almoço da cidade velha

Almoço, R$ 90. Os restaurantes da cidade alta servem prato feito com carne de sol, macaxeira, feijão verde e pirão, a perto de R$ 45 por pessoa, com suco de cajá, a fruta ácida do litoral nordestino.

A ordem do dia

1. Pegue o ônibus das 8h no centro de Aracaju e chegue à praça antes das 9h30.

2. Visite o Museu Histórico de Sergipe e o Museu de Arte Sacra pela manhã.

3. Almoce na cidade alta e compre as queijadas depois, para levar frescas.

4. Desça a ladeira até as 16h e pegue o ônibus antes da saída dos estudantes.

O dia em São Cristóvão custa R$ 182 para o casal: R$ 22 de quatro passagens de ônibus, R$ 40 de ingresso nos dois museus, R$ 90 de almoço na cidade alta e R$ 30 de duas dúzias de queijada, sem a diária de perto de R$ 300 na orla de Aracaju, cotação de 27/10/2026.

 
 
Quiz da edição

Em que ano o governo de Sergipe deixou São Cristóvão para se instalar em Aracaju?

A1590
B1640
C1855
D2010

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Clímax da temporada

Maratona dos 7 dias finais

◆◆◆◆293031

Dia 5 de 7 · a temporada de outubro fecha 31/10

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