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Parintins em 4 dias, R$ 5.360 o casal
O barco com rede saindo de Manaus, a casa de família na semana do boi, a cadeira do bumbódromo por noite e a comida da ilha
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Barcos de rede no porto de Parintins
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A 2 graus e 37 minutos ao sul do Equador, numa ilha do Rio Amazonas a perto de 370 quilômetros de Manaus em linha reta, o bumbódromo de Parintins aparece do convés antes da cidade. É uma arena de concreto com o desenho estilizado de uma cabeça de boi, erguida na beira da água.
Parintins fica na Ilha Tupinambarana e não tem estrada. Quem chega vem pelo rio ou pelo ar, e a escolha entre os dois decide a maior parte da conta da viagem.
Na última semana de junho, a cidade recebe o Festival Folclórico de Parintins, a disputa de três noites entre dois bois-bumbás (grupos de dança e teatro que encenam a lenda de um boi que morre e ressuscita). O Garantido veste vermelho; o Caprichoso, azul.
A cidade toma partido. As casas pintam o muro com a cor do boi, os bancos da praça trocam de cor conforme o bairro, e até a lata de refrigerante vendida na ilha sai em versão vermelha e em versão azul.
O festival de 2027 cai de 25 a 27 de junho, sexta, sábado e domingo. As apresentações começam à noite e passam da meia-noite, e cada boi tem perto de duas horas e meia na arena por noite.
Na semana da festa, a população da ilha cresce várias vezes, e a cidade não tem hotel para todos. Quem dorme em Parintins dorme em casa de família, em barco ancorado no porto ou numa das poucas pousadas reservadas com meses de antecedência.
O voo de Manaus leva perto de uma hora e fica caro quando a festa se aproxima. O barco regional leva perto de 20 horas rio abaixo e cobra o lugar da rede no convés.
A conta a seguir cobre quatro dias de um casal que sai de Manaus de barco na quarta à noite, chega na quinta, assiste às três noites do bumbódromo em cadeira numerada e volta de barco na segunda. Valores consultados em 02/10/2026, para o festival de junho de 2027.
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I A Conta da Viagem
Vinte horas de rede contra uma hora de voo
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Quatro dias em Parintins custam R$ 5.360 para um casal que sai de Manaus de barco, com cadeira numerada nas três noites, quatro noites de casa de família e toda a comida. O que mais pesa é a cadeira; o que mais economiza é a rede.
Barco, R$ 1.060. Os barcos regionais saem do Porto de Manaus, no centro da cidade, e descem o Amazonas até Parintins em perto de 20 horas. O lugar de rede no convés sai por perto de R$ 250 por pessoa na ida da semana da festa.
A volta sobe o rio contra a correnteza e demora mais, perto de 26 horas. O lugar de rede custa perto de R$ 280 por pessoa, e o casal paga as quatro passagens no guichê da agência do porto.
O voo de Manaus a Parintins leva perto de uma hora. Na semana do festival, a passagem de ida e volta passa de R$ 1.800 por pessoa, e o casal paga R$ 3.600 só para chegar e sair da ilha.
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O barco com rede custa R$ 2.540 a menos que o voo para o casal, e a diferença paga as três noites de cadeira no bumbódromo com sobra.
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A cadeira cobrada por noite
Bumbódromo, R$ 2.100. A arena tem três tipos de lugar. A arquibancada das galeras (as torcidas organizadas de cada boi) é gratuita, e a fila começa no começo da tarde.
As cadeiras numeradas ficam na parte central e são vendidas por noite, perto de R$ 350 cada lugar. São três noites para duas pessoas, e o casal escolhe o lado do boi que quer ver de frente.
Os camarotes, com cobertura e serviço de bebida, passam de R$ 1.000 por pessoa a cada noite e esgotam primeiro, vendidos para empresas e grupos.
A cadeira compra o direito de chegar às 20h e achar o lugar vazio. Na galera gratuita, quem chega depois das 16h fica do lado de fora da arena e assiste ao boi pelo telão da rua.
Comida, R$ 800. A bordo, a marmita do barco sai por perto de R$ 25 por refeição, com arroz, feijão, farinha e peixe ou frango; são quatro refeições por pessoa entre ida e volta, R$ 200 para o casal.
Na ilha, o casal gasta perto de R$ 150 por dia. O tacacá (caldo quente de tucupi, o sumo amarelo da mandioca, com goma e camarão seco) custa perto de R$ 20 a cuia nas barracas da praça da Catedral.
O almoço de tambaqui (peixe grande de rio, servido em banda assada) sai por perto de R$ 60 para dois nos restaurantes da beira do rio. Os quatro dias de ilha somam R$ 600.
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II O Item Esquecido
A rede, as cordas e o cadeado
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O item que falta na mala de quem viaja no convés é a própria rede. O barco vende o lugar para pendurar, não a rede, e quem embarca sem ela compra a que sobra no camelô do porto pelo dobro do preço.
Uma rede de algodão de casal custa perto de R$ 120 nas lojas da Rua dos Barés, no centro de Manaus, a duas quadras do porto. No cais, na hora do embarque, a mesma rede passa de R$ 200.
O convés da semana da festa lota. Os barcos penduram as redes em duas e às vezes três camadas, encostadas umas nas outras, e o lugar bom é o do meio, longe da chuva que entra pelas laterais.
O que segura a rede
O segundo item são as cordas, que os ribeirinhos chamam de punho estendido (o pedaço de corda que liga a ponta da rede ao travessão do teto). Cada rede leva duas cordas de perto de 2 metros, que custam R$ 15 o par.
Sem corda, a rede fica curta para o vão entre os travessões e o viajante dorme dobrado. Com ela, a rede pendura na altura certa e não esbarra na do vizinho a cada balanço do barco.
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A rede de R$ 120 comprada na Rua dos Barés, com duas cordas e um cadeado, decide se as 20 horas de rio são de sono ou de vigília.
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O terceiro item é um cadeado pequeno para a mochila. A bagagem fica no chão, embaixo da rede, e o convés escuro da madrugada não tem armário nem vigia.
Fecham a lista um lençol fino, porque a madrugada no rio esfria com o vento, e um repelente forte para a parada nos portos do caminho, quando o barco encosta e entra o mosquito da margem.
Rede, cordas e cadeado somam perto de R$ 300 para o casal e ficam fora da conta, porque a rede volta para casa e serve em qualquer viagem de barco na Amazônia.
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