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Paraty, 3 dias, R$ 1.560 por pessoa
Os 250 km de ônibus desde o Rio, pousada no centro histórico, comida, a escuna de ilhas e o jipe das cachoeiras, somados linha por linha
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O bilhete da escuna sobre o caderno de contas
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Paraty fica a 250 quilômetros do centro do Rio de Janeiro, pela BR-101, a Rio-Santos. O ônibus leva cerca de quatro horas e meia, com a serra de um lado e a baía do outro, e para num terminal a dez minutos de caminhada das primeiras pedras.
A vila nasceu do ouro. O povoado foi elevado a vila em 1667, com o nome de Nossa Senhora dos Remédios, e virou o porto por onde o metal das Minas Gerais descia a Estrada Real até os navios.
O traçado antigo ainda manda no passeio de hoje. As ruas do centro histórico são de pé de moleque, pedras irregulares assentadas em declive, desenhadas para a maré de sizígia entrar, lavar o calçamento e sair sozinha.
Carro não passa ali. O quadrilátero histórico é fechado ao trânsito, e quem desce a Rio-Santos dirigindo deixa o veículo fora das pedras, em bolsão privado cobrado por dia.
Em julho de 2019 a UNESCO inscreveu Paraty e Ilha Grande na lista de Patrimônio Mundial, o primeiro sítio misto do Brasil, reconhecido ao mesmo tempo por cultura e por biodiversidade.
O reconhecimento explica a forma da conta. Boa parte do que a cidade vende é mar e mata: escuna de ilhas, jipe de cachoeira, trilha, alambique. Cada passeio desses é uma venda avulsa, fechada no cais ou na praça, no dia.
A cidade também cobra o que parece incluso. Bilhete de barco, taxa do cais, entrada de alambique e translado do terminal são valores pequenos, comprados um a um, e nenhum deles cabe na reserva da pousada.
A conta que vem abaixo é de três dias e duas noites, para uma pessoa em quarto duplo, saindo do Rio de ônibus, com passagem, pousada, comida, passeio de barco, passeio de jipe e miudezas separados um do outro. Preço consultado em 20/08/2026.
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I A Conta da Viagem
R$ 520 por dia na vila do ouro
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Seis linhas fecham os três dias. Uma você resolve na rodoviária do Rio, e as outras cinco só começam a cobrar depois que a mala entra no quarto.
Três dias em Paraty fecham em R$ 1.560 por pessoa, ou R$ 520 por dia. A conta considera uma pessoa em quarto duplo, ônibus de linha ida e volta desde o Rio, duas noites em pousada do centro histórico, comida de rua e de restaurante, um passeio de escuna, um passeio de jipe e as miudezas cobradas avulsas.
Ônibus, R$ 190. Passagem rodoviária Rio a Paraty, 250 quilômetros pela BR-101, cerca de R$ 95 por trecho em serviço convencional, ida e volta compradas com antecedência.
Pousada, R$ 490. Duas noites em pousada de categoria intermediária dentro do centro histórico, diária de casal em torno de R$ 490 com café da manhã incluso. Dividida por dois, a noite sai a R$ 245.
Comida, R$ 420. Três dias a R$ 140, com almoço de R$ 80 em restaurante de rua histórica e jantar de R$ 60 fora do quadrilátero. O café da manhã já vem na diária.
Escuna, R$ 160. Bilhete do passeio de barco de dia inteiro pela baía, com quatro paradas de banho entre ilhas e praias, saída do cais no meio da manhã e volta no fim da tarde.
Jipe, R$ 200. Passeio de dia inteiro pela estrada Paraty a Cunha, R$ 170 do transporte em veículo aberto mais R$ 30 de entradas nas propriedades das cachoeiras e no alambique.
Miudezas, R$ 100. Translado do terminal até a pousada R$ 20, taxa do cais R$ 15, entrada de casa de cultura R$ 15 e a tábua de degustação de R$ 50 no alambique da estrada.
Ficaram de fora o mergulho com cilindro, a travessia de veleiro até o Saco do Mamanguá e o aluguel de bicicleta. A conta é do trajeto mínimo entre a pousada, o cais, a estrada das cachoeiras e a mesa.
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A pousada e a comida somaram R$ 910 por pessoa, e a passagem de ônibus custou R$ 190. Ficar três dias no destino custou 7,2 vezes o que custou chegar até ele.
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Em proporção arredondada: pousada 31% do total, comida 27%, jipe 13%, ônibus 12%, escuna 10% e miudezas 6%. As duas linhas de rotina, cama e mesa, valem 58% da viagem.
Três variáveis mexem no total com força. Onde você dorme, porque a pousada dentro das pedras some com o translado diário. Quantos passeios de dia inteiro você compra, porque cada um é vendido à parte no cais. E a data, porque o calendário de eventos dobra a diária em certas semanas.
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II O Item Esquecido
Os R$ 460 comprados no cais
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A escuna, o jipe e as miudezas somaram R$ 460 por pessoa, e nenhum dos três entra na reserva feita de casa. São compras fechadas no balcão do cais, na banca da praça ou no guichê da estrada, quase sempre no dia anterior ao passeio, em dinheiro ou por transferência.
O passeio de escuna é o mais visível e não é o mais caro da dupla. O bilhete de R$ 160 cobre o dia inteiro de navegação pela baía, com paradas de banho em ilhas e praias que a estrada não alcança.
O barco sai do cais no meio da manhã e volta no fim da tarde. A comida a bordo é vendida à parte, e o almoço no convés custa perto do próprio bilhete quando a mesa pede peixe.
O jipe das cachoeiras cobra R$ 200 e é a linha que mais surpreende. O transporte em veículo aberto sai por R$ 170 pela estrada Paraty a Cunha, e as propriedades cobram entrada própria na porteira.
A rota clássica passa pela Cachoeira do Tobogã, uma laje de pedra lisa por onde a água desce, e pelo Poço do Tarzan, no mesmo trecho de mata. Algumas paradas têm entrada franca, outras cobram na porteira, e ninguém avisa antes de subir.
O alambique fecha o roteiro do jipe. Paraty produz cachaça desde o ciclo do ouro, quando a bebida virou moeda de troca no porto, e a visita termina numa degustação vendida em tábua, não em dose.
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"Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta."
Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência, 1953
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O verso nasceu da mesma estrada que fez a cidade. O ouro que desceu a Estrada Real até este porto é o mesmo que pagou a corrente de impostos contra a qual o Romanceiro foi escrito, e o caminho virou passeio de jipe três séculos depois.
A terceira linha é a das miudezas. Translado do terminal R$ 20, taxa do cais R$ 15, entrada de casa de cultura R$ 15 e tábua de degustação R$ 50 somam R$ 100 por pessoa, cobrados em quatro momentos distintos.
Quem desce de carro troca uma linha por outra. A passagem de ônibus de R$ 190 desaparece, e entram o combustível dos 500 quilômetros de ida e volta, o pedágio da Rio-Santos e o estacionamento fora das pedras.
O bolsão privado no limite do centro histórico cobra cerca de R$ 45 por dia, R$ 135 nos três dias. O carro fica parado o tempo todo, porque o quadrilátero é fechado ao trânsito e todo o roteiro a pé começa e termina nas pedras.
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R$ 460 em escuna, jipe e miudezas, contra R$ 190 da passagem que atravessou os 250 quilômetros. Andar por dentro do destino custou 2,4 vezes o que custou chegar até a porta dele.
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Duas perguntas resolvem a linha antes de reservar qualquer coisa. Quantos dias inteiros do roteiro você quer entregar a um passeio guiado? E qual dos dois, mar ou cachoeira, você faria se coubesse só um?
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