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Pantanal por Corumbá, 4 dias, R$ 2.180 por pessoa
A pensão completa que embute refeição e passeio, os 420 km desde Campo Grande, os 74 km da Estrada Parque e a focagem noturna à parte
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O rio Paraguai no começo da manhã em Corumbá
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Corumbá está a 118 metros acima do mar, na margem direita do rio Paraguai, a 420 quilômetros de Campo Grande pela BR-262. De cima do barranco da cidade alta, no fim da tarde, vê-se a planície inteira do outro lado da água, sem um morro para interromper a linha do horizonte, e o rio fazendo curva larga na direção da fronteira boliviana.
A distância é a primeira linha da conta e a mais subestimada. São cerca de seis horas de estrada asfaltada desde a capital do estado, num trecho de pista simples com poucos pontos de parada depois de Miranda. Quem vai de ônibus paga a passagem por cabeça; quem vai de carro paga o combustível pelo veículo e divide entre os ocupantes.
A hospedagem no Pantanal funciona diferente de qualquer outro destino do Brasil. A pousada da planície vende pensão completa: a diária embute café, almoço, jantar, lanche da tarde e ao menos um passeio guiado por período. O hóspede não escolhe restaurante nem contrata passeio na chegada, porque não existe nem uma coisa nem outra a quilômetros da sede.
Isso resolve quase toda a variação de gasto e cria uma armadilha específica. Como a diária parece cobrir tudo, o viajante monta a conta achando que só falta a passagem. Depois descobre que o pacote de refeição e passeio tem borda, e que a borda tem preço.
A focagem noturna é a borda mais comum. A saída de fim de noite com holofote atrás de bicho, a de maior chance de avistar onça e tamanduá, sai da tabela da pensão completa na maioria das pousadas e é cobrada por saída, por pessoa.
O acesso também cobra. A Estrada Parque do Pantanal tem 74 quilômetros de chão batido entre Buraco das Piranhas e Porto da Manga, com dezenas de pontes de madeira estreitas, e o traslado da rodovia até a sede da pousada é linha separada da diária.
A conta que vem abaixo é de quatro dias e três noites, por pessoa, em casal dividindo o mesmo quarto, com o deslocamento desde Campo Grande, a pensão completa, o traslado da Estrada Parque, as duas focagens noturnas e as miudezas separadas linha a linha. Valores consultados em 10/09/2026.
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I A Conta da Viagem
R$ 545 por dia na planície alagada
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Seis linhas fecham os quatro dias por Corumbá. Uma se compra de casa com antecedência, quatro entram no acerto da pousada e a última só aparece no chão da Estrada Parque.
Quatro dias no Pantanal por Corumbá fecham em R$ 2.180 por pessoa, ou R$ 545 por dia. A conta considera um casal dividindo o quarto, três noites de pousada de pensão completa na planície, o deslocamento de ida e volta desde Campo Grande, o traslado da Estrada Parque, duas focagens noturnas cobradas à parte e as miudezas do trajeto.
Pousada de pensão completa, R$ 1.290. Três noites em pousada de porte médio na planície, diária de casal em torno de R$ 860 com quatro refeições por dia e dois passeios guiados por dia inclusos. Dividida por dois, a noite sai a R$ 430.
Campo Grande a Corumbá, ida e volta, R$ 300. Os 420 quilômetros da BR-262 em cada sentido, em ônibus rodoviário de leito comum ou em carro compacto com o combustível rateado por dois ocupantes.
Focagem noturna, R$ 240. Duas saídas de holofote depois do jantar, cobradas por pessoa e por saída, fora da tabela da pensão completa.
Traslado da Estrada Parque, R$ 180. O trecho de chão entre o ponto de encontro na rodovia e a sede da pousada, em veículo alto da própria pousada, ida e volta, rateado por dois passageiros.
Bebida fora da pensão, R$ 90. Cerveja, refrigerante e água mineral no jantar e no barco, cobrados na conta do quarto e acertados na saída.
Seguro e miudezas, R$ 80. Repelente, protetor, lanterna de mão, pilha e as cobranças pequenas do trajeto.
Ficaram de fora a passagem aérea até Campo Grande e a noite extra na capital. A divisão arredondada vem abaixo.
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A pensão completa sozinha custou R$ 1.290, mais que todas as outras cinco linhas somadas. Dormir na planície pesou 59% da viagem, e é a linha que se fecha primeiro, porque a pousada tem número fixo de quartos, opera com barco e guia contados e fecha a agenda semanas antes na temporada seca.
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Pousada de pensão completa: 59% do total
Campo Grande a Corumbá, ida e volta: 14%
Focagem noturna: 11%
Traslado da Estrada Parque: 8%
Bebida fora da pensão: 4%
Seguro e miudezas: 4%
Três variáveis mexem no total com força. Quantas saídas noturnas entram no roteiro, porque cada uma é cobrada inteira e por pessoa. Quantas pessoas dividem o veículo do traslado no chão da Estrada Parque. E o mês, porque a diária da planície muda de patamar entre a cheia e a seca.
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II O Item Esquecido
O holofote que sai da tabela
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As duas focagens noturnas saíram por R$ 240 por pessoa, 11% da viagem, e não estavam na diária. A pensão completa cobre café, almoço, lanche, jantar e os passeios de dia. A saída de holofote depois do jantar é vendida por fora, por pessoa e por saída, e é justamente a de maior chance de avistar onça, tamanduá-bandeira e jacaré fora d'água.
A cobrança tem lógica de operação, não de ganância. A focagem sai com veículo alto, holofote de mão e um guia dedicado por grupo pequeno, entre 20h e 23h, com o motorista rodando devagar em estrada de terra. O custo por hóspede é alto e a pousada não consegue diluir na diária de quem só quer boiar no rio.
O casal que aluga o quarto paga duas focagens quando quer sair duas vezes: aqui a cobrança é por cabeça, e não pelo veículo. Encher o carro não ajuda em nada, porque cada assento a mais é um ingresso a mais.
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"O sertão é do tamanho do mundo."
João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, 1956
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A planície pantaneira funciona assim para quem chega de cidade. A distância entre a sede da pousada e o próximo bicho não se mede em quilômetro, se mede em hora de guia, e hora de guia é exatamente o que a linha da focagem compra.
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Quatro dias com o deslocamento desde Campo Grande, o traslado da Estrada Parque e as duas focagens noturnas custam R$ 720 por pessoa só em locomoção e saída extra, um terço da viagem inteira. Quem monta a conta somando passagem mais diária e nada além erra essa fatia por completo, e descobre a diferença na hora de acertar a conta do quarto, num lugar onde a maquininha depende de sinal instável de satélite.
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Duas perguntas resolvem a linha antes de fechar a reserva. Quantos passeios por dia entram na diária de pensão completa, e a focagem noturna é um deles ou é venda separada? E o traslado entre a rodovia e a sede está incluído ou é cobrado por trecho, por pessoa ou por veículo?
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