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Pico da Neblina em 8 dias, R$ 12.280 por pessoa

O voo até São Gabriel da Cachoeira, o guia Yanomami, o carregador por dia e a barraca alugada

Pico da Neblina acima das nuvens, em São Gabriel da Cachoeira, Amazonas.

Pico da Neblina, São Gabriel da Cachoeira (AM)

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A 2.995 metros, na fronteira do Amazonas com a Venezuela, o Pico da Neblina passa a maior parte do ano dentro de uma nuvem. Do cume, nos poucos minutos em que ela abre, se vê a floresta inteira lá embaixo, sem estrada e sem cidade até o horizonte.

É o ponto mais alto do Brasil, e fica a perto de 100 km em linha reta de São Gabriel da Cachoeira, o município com a maior proporção de população indígena do país. A cidade fica na margem do Rio Negro, a 850 km de Manaus, e não tem estrada que a ligue à capital.

O pico só foi medido com precisão em 2015, quando o IBGE refez a conta com GPS e fixou a altitude em 2.995,30 metros. Até ali, os mapas escolares ensinavam 3.014 metros, número herdado de uma medição dos anos 1960.

A montanha fica dentro do Parque Nacional do Pico da Neblina e da Terra Indígena Yanomami. A subida passou anos fechada pela dupla proteção, e só voltou a ser liberada quando os próprios Yanomami da região de Maturacá montaram um projeto de visitação.

Desde então, quem sobe entra pela Associação Yaripo, a organização de ecoturismo das comunidades. Yaripo é o nome Yanomami da montanha, e quer dizer algo próximo de serra do vento. O pacote inclui o guia indígena, obrigatório em todo o percurso, e a autorização para entrar na terra indígena.

Os números abaixo valem para uma pessoa que voa de Manaus até São Gabriel, fecha o pacote da Yaripo, contrata um carregador e aluga barraca e saco de dormir. São oito dias de expedição, com duas noites de hotel na cidade. Os preços foram consultados em 01/11/2026.

A conta tem cinco linhas: o voo, o pacote, o carregador, o equipamento e o hotel. A linha que mais pesa é o pacote, e a que mais surpreende é o carregador, cobrado por dia de trilha.

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I  A Conta da Viagem

O voo e o pacote da Yaripo

Os oito dias até o cume do Pico da Neblina custam R$ 12.280 por pessoa. O voo de Manaus, o pacote da Yaripo, o carregador, o aluguel de barraca e saco e duas noites de hotel formam a conta, sem a passagem até Manaus.

Voo, R$ 2.400. São Gabriel da Cachoeira recebe voos regulares de Manaus poucas vezes por semana, em avião turboélice. A ida e a volta custam perto de R$ 2.400 com um mês de antecedência, e o preço sobe rápido quando a data se aproxima.

A alternativa é o barco pelo Rio Negro. O recreio sai do porto de Manaus e leva de três a quatro dias subindo o rio, com rede armada no convés e comida a bordo, por perto de R$ 600 a ida.

O barco custa um quarto do voo, mas soma uma semana de rio na ida e na volta. Para quem tem só os oito dias da expedição, o avião fecha o calendário.

A bagagem do turboélice tem limite de 23 quilos despachados, com cobrança por quilo extra no balcão. Quem leva barraca e saco próprios costuma estourar o peso na ida, e a taxa do excesso pode passar de R$ 300.

O pacote da Yaripo

Pacote, R$ 6.900. A Associação Yaripo vende a expedição completa por perto de R$ 6.900 por pessoa, em grupos pequenos e com datas abertas na estação mais seca, entre novembro e março.

O valor cobre o transporte de São Gabriel até a comunidade de Maturacá, de caminhonete e barco, o guia Yanomami durante os oito dias, a comida da trilha e as taxas de entrada no parque e na terra indígena.

O guia não é opcional. A trilha atravessa território Yanomami, e a entrada só é autorizada com um integrante da comunidade conduzindo o grupo do primeiro ao último dia.

Os guias conhecem os acampamentos, os pontos de água e os trechos onde a lama da floresta engole a bota até a canela. Muitos subiram a montanha pela primeira vez ainda crianças, com os pais, antes de existir qualquer turista na trilha.

No Pico da Neblina, o guia Yanomami é a autorização de entrada, e sem ele a trilha fica fechada.

A soma do primeiro bloco fica em R$ 9.300: R$ 2.400 de voo e R$ 6.900 de pacote levam a pessoa do aeroporto de Manaus até o cume e de volta à cidade.

 
 

II  O Item Esquecido

O carregador pago por dia

O item esquecido no Pico da Neblina é o carregador, cobrado à parte do pacote. Quem planeja a expedição soma o voo e o pacote e só descobre em Maturacá que a mochila pesada sobe nas costas de alguém pago por dia.

O carregador é um morador da comunidade, contratado pela própria Yaripo. Ele leva até 15 quilos de carga, entre barraca, saco de dormir, comida e panela, e cobra perto de R$ 250 por dia de trilha.

Os oito dias somam R$ 2.000. O valor entra na renda das famílias de Maturacá e faz parte do acordo de visitação: cada grupo emprega gente da comunidade, além do guia.

A mochila sem carregador

Dá para subir carregando tudo, mas a trilha cobra caro. São perto de 36 km de mata fechada até a base do pico, com raízes, rios cruzados com água pela cintura e lama funda nos dias de chuva.

Nos dois últimos dias a subida vira escalada leve, com cordas fixas em paredões de pedra molhada. Uma mochila de 20 quilos nesse trecho desequilibra o corpo e dobra o tempo de cada lance.

No Pico da Neblina, o carregador de R$ 250 por dia decide se a pessoa chega ao cume com perna para descer.

O que vai na mochila própria

Mesmo com carregador, cada um leva a mochila de ataque, com o que usa durante o dia. A lista curta cabe em 7 quilos e evita parar o grupo na trilha:

1. Capa de chuva e uma muda de roupa seca em saco estanque.

2. Bota já amaciada, com cano alto, e um par de meias extra.

3. Lanterna de cabeça com pilha reserva, para a madrugada do ataque ao cume.

4. Repelente, protetor solar e os remédios pessoais.

5. Dinheiro em espécie para o carregador, porque o sinal some depois de Maturacá.

O pagamento do carregador sai no fim da expedição, em dinheiro vivo. O saque precisa ser feito em São Gabriel, onde o caixa eletrônico funciona e a fila cresce na véspera dos grupos.

 

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III  Quanto Custa Dormir

Oito noites na barraca

O aluguel de barraca e saco de dormir custa perto de R$ 60 por dia. A Yaripo e as lojas de São Gabriel alugam o conjunto para quem chega sem equipamento, com isolante incluído.

Os oito dias somam R$ 480. Comprar o mesmo conjunto novo passa de R$ 1.500, e quem não volta a acampar paga pelo peso na bagagem do avião.

As noites da trilha são em acampamentos fixos na floresta, com área limpa para as barracas e um rio por perto. O último, no pé da montanha, fica perto dos 2.000 metros, e a noite ali chega a 8 graus.

A barraca alugada é de dois lugares e serve a uma pessoa com a mochila dentro. A chuva da floresta cai quase toda noite, e o sobreteto bem esticado decide se o saco amanhece seco.

O frio da base

O frio pega quem pensa só na Amazônia quente. O saco de dormir precisa aguentar perto de 5 graus, e a roupa da noite tem que ficar seca dentro do saco estanque.

O ataque ao cume sai da base de madrugada, às 3h, com lanterna. A ideia é chegar ao topo cedo, antes que a nuvem feche, e descer com luz pelos paredões das cordas.

No Pico da Neblina, a noite mais fria da viagem fica a um dia de caminhada do cume.

O hotel em São Gabriel

Hotel, R$ 500. Antes e depois da trilha, a pessoa dorme duas noites em São Gabriel da Cachoeira. Os hotéis do centro cobram perto de R$ 250 a diária, com café da manhã e ar condicionado.

A noite da chegada serve para conferir o equipamento, sacar o dinheiro e encontrar a equipe da Yaripo. A noite da volta segura o atraso da trilha, já que chuva forte pode empurrar a descida em um dia.

A ordem dos oito dias

1. Voe de Manaus para São Gabriel, durma no hotel e saque o dinheiro do carregador.

2. Siga de caminhonete e barco até Maturacá e encontre o guia e o carregador.

3. Caminhe cinco dias pela floresta, de acampamento em acampamento, até a base.

4. Saia da base às 3h, suba os paredões e chegue ao cume pela manhã.

5. Desça em dois dias até Maturacá, volte a São Gabriel e durma a última noite antes do voo.

Os oito dias no Pico da Neblina custam R$ 12.280 por pessoa: R$ 2.400 de voo de ida e volta entre Manaus e São Gabriel, R$ 6.900 de pacote da Yaripo com guia Yanomami, transporte até Maturacá, comida e taxas, R$ 2.000 de carregador por oito dias, R$ 480 de barraca e saco alugados e R$ 500 de duas noites de hotel com café, sem a passagem até Manaus, cotação de 01/11/2026.

 
 
Quiz da edição

Antes da medição do IBGE em 2015, qual altitude os mapas escolares ensinavam para o Pico da Neblina?

A3.014 metros
B2.995 metros
C3.100 metros
D2.800 metros

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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