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Areia em 2 dias, R$ 750 para o casal

O carro pela BR-230, a diária do casarão, a visita ao engenho de cachaça e o ingresso do Teatro Minerva

Rua de casario colonial em ladeira no centro histórico de Areia, Paraíba.

Centro histórico de Areia, brejo paraibano (PB)

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A cerca de 600 metros de altitude, na borda leste do Planalto da Borborema, a cidade de Areia ocupa uma crista entre dois vales. Do mirante da rua principal se vê o brejo paraibano descendo em degraus verdes, com canaviais no fundo e neblina presa nos morros até o meio da manhã.

O brejo é a faixa úmida da serra, onde a chuva que vem do mar bate no planalto e cai antes de chegar ao sertão. Por isso a região plantou cana e montou engenho, enquanto a poucas dezenas de quilômetros a oeste a paisagem já é de caatinga.

Areia cresceu no século 19 com o açúcar, a rapadura e a cachaça. Os senhores de engenho ergueram sobrados de dois andares no centro, mandaram os filhos estudar no Recife e pagaram, em 1859, a construção do Teatro Minerva, um dos teatros mais antigos do Brasil ainda em uso.

Da cidade saíram o pintor Pedro Américo, autor do quadro da Independência pendurado no Museu do Ipiranga, e o escritor José Américo de Almeida, que em 1928 publicou “A Bagaceira”, o romance dos engenhos do brejo.

Em 2006, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) tombou o conjunto do centro histórico, com casarões, igrejas e o traçado das ruas em ladeira.

O roteiro desta edição é de um casal que sai de João Pessoa de carro, passa dois dias e uma noite em Areia e volta no fim da tarde seguinte, com preços consultados em 28/10/2026.

O frio surpreende quem vem do litoral. À noite, de maio a agosto, o termômetro da serra desce para perto de 15 graus, e mesmo em outubro a madrugada pede manga comprida.

A conta tem cinco linhas: o combustível, a diária do casarão, a visita ao engenho, o ingresso do teatro e a comida. A primeira começa no posto da saída de João Pessoa.

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I  A Conta da Viagem

A BR-230 e o engenho

Os dois dias em Areia custam R$ 750 para o casal. Combustível, uma noite em casarão do centro, visita paga ao engenho, ingresso do Teatro Minerva e as refeições formam a conta, sem guia contratado.

Combustível, R$ 150. De João Pessoa a Areia são perto de 130 km pela BR-230, a rodovia duplicada que segue no sentido de Campina Grande, e pela estrada estadual que sobe a serra. A viagem leva perto de duas horas.

Ida e volta somam perto de 260 km. Um carro popular que faz 12 km por litro na estrada gasta perto de 22 litros, e com a gasolina a perto de R$ 6,60 na Grande João Pessoa o tanque da viagem sai por perto de R$ 150.

O trecho duplicado da BR-230 é rápido e tem posto a cada poucos quilômetros. A subida final tem curva fechada, acostamento estreito e caminhão de cana na safra, que vai de setembro a março, então vale descer a marcha e não ultrapassar nas curvas.

Sair de João Pessoa até as 8h deixa o casal em Areia antes das 10h, com a manhã livre para o engenho e a neblina ainda sobre os vales.

O engenho aberto à visita

Engenho, R$ 60. Os engenhos da zona rural de Areia recebem visitantes para mostrar a moagem da cana, o alambique de cobre e os tonéis onde a cachaça descansa. A visita guiada custa perto de R$ 30 por pessoa e inclui degustação.

O guia mostra o caminho da cana: a moenda espreme o caldo, o caldo fermenta em dornas (os tanques de fermentação) por um dia ou dois, e o vinho de cana passa pelo alambique, onde vira cachaça. Depois ela descansa em barris de madeira, que dão a cor e o cheiro.

Parte dos engenhos vende rapadura, mel de engenho e garrafas da casa na lojinha da saída. A garrafa de cachaça envelhecida custa de R$ 40 a R$ 90, fora da conta desta edição.

No brejo de Areia, a cana virou sobrado, teatro e garrafa na prateleira.

O teatro de 1859

Teatro, R$ 20. O Teatro Minerva, no centro, abre para visita guiada de terça a domingo, com ingresso de perto de R$ 10 por pessoa. Nas noites de espetáculo, o preço muda conforme a peça.

O prédio tem plateia pequena, camarotes de madeira e palco italiano (o palco de moldura, com a plateia de frente). Foi construído por subscrição dos moradores ricos, que compraram os camarotes antes da obra terminar.

A soma do primeiro dia fica em R$ 230: R$ 150 de combustível, R$ 60 de engenho e R$ 20 de teatro levam o casal da praia ao camarote.

 
 

II  O Item Esquecido

O casaco do brejo

O item esquecido em Areia é o casaco. O casal sai de João Pessoa de bermuda, com 30 graus no carro, e descobre o frio da serra no começo da noite, na porta do teatro.

A diferença vem da altitude e da umidade. A cidade fica perto de 600 metros acima do litoral, e a neblina que cobre o brejo à noite deixa o ar úmido e o vento cortante nas ladeiras abertas.

Um casaco leve e uma calça comprida por pessoa resolvem. O casarão tem cobertor, mas a caminhada entre o restaurante e a pousada, às 21h, passa por ruas expostas ao vento do vale.

O motorista da volta

O segundo esquecido é combinar quem dirige. A degustação do engenho serve doses pequenas de cachaça, e a Lei 11.705, de 2008, a Lei Seca, pune qualquer quantidade de álcool no sangue de quem está ao volante.

O casal que visita o engenho de manhã e pretende dirigir de volta ao centro decide antes quem prova e quem só olha. Quem dirige pode levar a garrafa e provar à noite, no casarão, já sem a chave do carro.

O calçado da ladeira

O terceiro é o calçado. O centro histórico de Areia é todo de ladeira, com calçamento de pedra irregular, e a rua do teatro desce em rampa até a igreja matriz.

Sandália de sola lisa escorrega na pedra molhada pela neblina da manhã. Tênis com sola de borracha segura o passo na descida e aguenta o chão de terra do engenho, onde a moenda deixa bagaço e caldo pelo pátio.

Em Areia, o casaco, o tênis e o motorista sóbrio cabem no mesmo porta-malas.

A lanterna do celular

O quarto é bateria. A iluminação das ruas laterais do centro é fraca, e quem volta a pé do jantar desce a ladeira com a lanterna do celular. Um carregador portátil no bolso evita a descida no escuro.

Somados, o casaco, o tênis, a combinação do motorista e o carregador custam quase nada em casa. Esquecidos, deixam o casal com frio na saída do teatro, sem direção para a volta e tropeçando na pedra.

 

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III  Quanto Custa Dormir

A noite no casarão

A diária do casarão no centro histórico custa perto de R$ 320 para o casal. As pousadas ocupam sobrados antigos restaurados, com pé direito alto, piso de madeira e café da manhã com tapioca, cuscuz e queijo de coalho.

Os quartos dão para a rua principal ou para os fundos, de onde se vê o vale. Os de fundo custam perto de R$ 40 a mais e ficam longe do som do bar da praça nas noites de sábado.

Areia também tem hotéis fora do centro, a perto de R$ 250 a diária, com estacionamento amplo e piscina. Mas quem dorme no centro faz tudo a pé: o teatro, a igreja matriz, o museu e o jantar ficam a poucas quadras.

Os meses de casa cheia

A diária sobe em julho, no mês do frio, quando o turismo da serra recebe visitantes de Pernambuco e do Rio Grande do Norte, e nos festivais de cultura da cidade. Nesses fins de semana o casarão pede reserva com semanas de antecedência.

De setembro a novembro, fora dos feriados, a cidade fica tranquila e a diária volta ao preço de tabela. Outubro ainda tem a safra da cana, e o engenho visitado está moendo.

Em Areia, dormir no sobrado troca o carro pela calçada.

O almoço e o jantar

Comida, R$ 200. Os restaurantes do centro servem galinha de capoeira, carne de sol com macaxeira, feijão verde e doce de rapadura, a perto de R$ 50 por pessoa a refeição. O casal faz dois almoços e um jantar, com o café da manhã já incluído na diária.

A ordem dos dois dias

1. Saia de João Pessoa às 8h pela BR-230 e chegue a Areia antes das 10h.

2. Visite o engenho pela manhã, com o motorista da volta já combinado.

3. Faça o check-in no casarão, almoce no centro e visite o Teatro Minerva à tarde.

4. Jante a pé no centro e volte ao casarão de casaco.

5. No segundo dia, tome o café, caminhe pelas ladeiras e pegue a estrada até as 16h, com luz na descida da serra.

Os dois dias em Areia custam R$ 750 para o casal: R$ 150 de combustível na ida e volta pela BR-230, R$ 320 de uma noite no casarão com café da manhã, R$ 60 de visita ao engenho com degustação, R$ 20 de ingresso no Teatro Minerva e R$ 200 de dois almoços e um jantar, cotação de 28/10/2026.

 
 
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Em que ano os senhores de engenho de Areia pagaram a construção do Teatro Minerva?

A1830
B1901
C1859
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