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Ponta Grossa em 2 dias, R$ 1.000 para o casal

O pedágio desde Curitiba, o ingresso de Vila Velha, a taxa do Buraco do Padre e o hotel

Colunas de arenito no Parque Estadual de Vila Velha, Ponta Grossa, Paraná.

Arenitos de Vila Velha, Ponta Grossa (PR)

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A 975 metros de altitude, no Segundo Planalto do Paraná, Ponta Grossa ocupa o meio dos Campos Gerais, um mar de capim baixo cortado por rios encaixados e capões de araucária. Da estrada que chega de Curitiba se vê o campo aberto até o horizonte, sem montanha, com pedra cinza aflorando no capim.

Os Campos Gerais começam num degrau. A Escarpa Devoniana (a encosta de rocha formada no período Devoniano, uma era geológica muito antiga) separa o Primeiro do Segundo Planalto, e a BR-277 vence o desnível em curvas longas na altura de São Luiz do Purunã antes de chegar ao platô.

A cidade fica perto de 115 km a oeste de Curitiba. O trajeto corre em pista dupla, leva perto de uma hora e meia de carro e cruza uma praça de pedágio antes da subida da escarpa.

Ponta Grossa nasceu no século 18 como pouso de tropeiros (os condutores de mulas e gado que subiam do Rio Grande do Sul até a feira de Sorocaba, em São Paulo). O campo servia de invernada, o pasto onde a tropa descansava e engordava antes de seguir viagem.

Hoje é a maior cidade da região e a base para dois passeios: o Parque Estadual de Vila Velha, a perto de 20 km do centro, e o Buraco do Padre, uma gruta com cachoeira no distrito rural de Itaiacoca.

O roteiro desta edição é de um casal que sai de Curitiba de carro no sábado de manhã, dorme uma noite num hotel do centro de Ponta Grossa e volta no domingo à tarde, com preços consultados em 30/10/2026.

A conta tem seis linhas: o pedágio, a gasolina, o ingresso de Vila Velha, a taxa do Buraco do Padre, a diária do hotel e a comida. A primeira cobrança aparece na estrada, perto de 40 minutos depois de deixar Curitiba.

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I  A Conta da Viagem

O pedágio e os arenitos

Os dois dias em Ponta Grossa custam R$ 1.000 para o casal. Pedágio de ida e volta, gasolina, ingresso do Parque Estadual de Vila Velha, taxa do Buraco do Padre, uma noite de hotel e as refeições formam a conta, sem agência nem guia.

Pedágio, R$ 30. A praça da BR-277 entre Curitiba e Ponta Grossa cobra perto de R$ 15 por sentido para carro de passeio. O casal paga na ida e na volta, em dinheiro, cartão ou pela tag eletrônica colada no para-brisa.

A tag (o adesivo com chip lido pela cancela) poupa a fila na volta de domingo à tarde. É o horário em que Curitiba recebe de volta quem passou o fim de semana no interior, e a fila da cabine manual chega a dez carros.

Gasolina, R$ 180. Somados os 230 km de ida e volta, os 40 km até Vila Velha e os 60 km até Itaiacoca, o carro roda perto de 330 km. Um modelo popular gasta perto de 28 litros, a R$ 6,50 o litro nos postos de Ponta Grossa.

Abasteça na cidade antes de sair para Itaiacoca. Na estrada do distrito não há posto, e o último trecho até o Buraco do Padre é de terra.

O parque dos arenitos

Vila Velha, R$ 140. O ingresso do Parque Estadual de Vila Velha custa perto de R$ 70 por pessoa e inclui o transporte interno, um ônibus que liga os três atrativos do parque: os arenitos, as furnas e a Lagoa Dourada.

Os arenitos são rochas de grãos de areia colados pelo tempo. A chuva e o vento gastaram as partes moles e deixaram colunas avermelhadas com formas batizadas pelos visitantes: a Taça, o Camelo, a Bota. A trilha entre elas tem perto de 2 km e leva uma hora e meia, a pé, com sol direto no rosto.

As furnas são poços de desabamento: o arenito cedeu sobre a água que corre por baixo da terra e abriu crateras redondas de dezenas de metros de fundo, com paredes cobertas de musgo e a água verde no fundo. O mirante fica na borda, protegido por grade.

A Lagoa Dourada é o último ponto do ônibus. A água vem do mesmo lençol das furnas, e o nome sai do reflexo dos peixes e do fundo de areia clara quando o sol bate de lado, no meio da tarde.

Em Vila Velha, o ônibus interno troca a pedra em forma de taça pelo poço verde em dez minutos de estrada.

A soma do primeiro bloco fica em R$ 350: R$ 30 de pedágio, R$ 180 de gasolina e R$ 140 de ingresso levam o casal de Curitiba à borda das furnas.

 
 

II  O Item Esquecido

A capa na boca da gruta

O item esquecido em Ponta Grossa é a capa de chuva. O casal sai num sábado de céu limpo, deixa a capa no carro e só descobre o motivo dela dentro do Buraco do Padre, a gruta onde o Rio Quebra-Perna despenca por uma abertura no teto de pedra.

A cachoeira cai perto de 30 metros dentro de uma furna aberta em cima. O vento que sobe da queda espalha a água em névoa por todo o salão, e quem chega à beira do poço sai molhado da cabeça à cintura, com sol ou sem sol lá fora.

Taxa, R$ 60. O Buraco do Padre fica numa propriedade particular, e o dono cobra perto de R$ 30 por pessoa na entrada. A taxa paga o estacionamento, a manutenção da trilha e o controle de quantas pessoas descem ao mesmo tempo.

O nome vem dos padres jesuítas. Segundo a tradição de Itaiacoca, eles usavam a gruta como lugar de retiro e oração no século 18. Nenhum documento da época confirma a história, e os moradores repetem a versão sem saber dizer quem a contou primeiro.

O mapa baixado

O segundo esquecido é o mapa off-line (o mapa salvo no celular para abrir sem internet). O sinal de celular some na estrada de Itaiacoca, e as placas até o Buraco do Padre são pequenas, pintadas à mão nas porteiras.

Baixe o mapa da região em Ponta Grossa, ainda com sinal no hotel. A estrada de terra tem bifurcações sem placa, e errar uma delas custa meia hora de volta.

O tênis da trilha

O terceiro é o calçado. Do estacionamento até a boca da gruta, a trilha tem perto de 800 metros, cruza o rio por pedras e termina numa descida de rocha lisa, molhada pela névoa da cachoeira.

Sandália escorrega nesse trecho. Tênis com sola de borracha aguenta a pedra molhada, e a roupa seca fica no carro para trocar na volta.

Em Itaiacoca, a capa, o mapa e o tênis decidem se o casal chega à boca da gruta.

O boné dos arenitos

O quarto é o boné. Em Vila Velha, a trilha dos arenitos corre em campo aberto, sem árvore, e o sol da tarde no planalto queima mesmo em dia frio.

Somados, a capa, o mapa, o tênis e o boné custam quase nada em casa. Esquecidos, deixam o casal encharcado na gruta, perdido na estrada de terra ou vermelho no fim da trilha.

 

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III  Quanto Custa Dormir

O hotel do centro

A diária de hotel no centro de Ponta Grossa custa perto de R$ 320 para o casal. Os hotéis da cidade ficam perto da Catedral de Sant'Ana e do Parque Ambiental, com estacionamento próprio e café da manhã incluído na diária.

Ponta Grossa é cidade de indústria e de negócio. Os hotéis enchem de segunda a quinta com quem viaja a trabalho, e no fim de semana a ocupação cai e a diária fica perto de 20% abaixo da tabela de dia útil.

O casal que reserva sábado para domingo pega o melhor preço da semana. O check-in fica para o começo da tarde, e a maior parte dos hotéis guarda o carro e as malas para quem chega cedo e segue direto para Vila Velha.

As semanas de casa cheia

A diária sobe no começo de dezembro, na Münchenfest, a festa da cerveja de Ponta Grossa, inspirada nas festas alemãs de outono. Nesses dias, os hotéis do centro pedem reserva com semanas de antecedência e cobram pacote de duas noites.

Fora dessa data, de março a novembro, a cidade fica calma no fim de semana. O inverno, de junho a agosto, traz geada no campo e madrugadas perto de zero grau, e o hotel com aquecedor no quarto vale o acréscimo.

Em Ponta Grossa, a noite do sábado custa menos porque o hóspede da semana já voltou para casa.

O almoço e o jantar

Comida, R$ 270. Os restaurantes do centro servem costela assada no fogo de chão, feijão tropeiro, carne de panela com polenta e o chope das cervejarias da cidade, a perto de R$ 45 por pessoa a refeição. O casal faz dois almoços e um jantar, com o café da manhã já incluído na diária.

A ordem dos dois dias

1. Saia de Curitiba às 8h pela BR-277 e pague o pedágio na ida.

2. Vá direto a Vila Velha e faça os arenitos, as furnas e a Lagoa Dourada no ônibus interno.

3. Almoce em Ponta Grossa, faça o check-in e jante no centro.

4. No domingo, abasteça, baixe o mapa e siga para o Buraco do Padre pela manhã.

5. Almoce na volta, troque a roupa molhada e pegue a BR-277 para Curitiba antes das 16h.

Os dois dias em Ponta Grossa custam R$ 1.000 para o casal: R$ 30 de pedágio de ida e volta na BR-277, R$ 180 de gasolina para 330 km, R$ 140 de ingresso em Vila Velha com o ônibus interno, R$ 60 de taxa no Buraco do Padre, R$ 320 de uma noite de hotel com café da manhã e R$ 270 de dois almoços e um jantar, cotação de 30/10/2026.

 
 
Quiz da edição

No Buraco do Padre, de quantos metros é a queda de água dentro da gruta?

A10 metros
B30 metros
C50 metros
D100 metros

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