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Ilha do Mel, 3 dias, R$ 1.519 por pessoa
Os 95 km desde Curitiba, a travessia de meia hora, a taxa de ingresso do IAT, a pousada e a comida, somados linha por linha
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O carrinho de mão que carrega a mala na ilha
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A Ilha do Mel fica a 95 quilômetros do centro de Curitiba, pela BR-277 até Paranaguá e depois pela PR-407 até Pontal do Sul. São cerca de uma hora e quarenta de asfalto até o fim da estrada, e o fim da estrada é literal.
Em Pontal do Sul o carro para e não segue mais. O terminal de embarque fica na ponta da praia, e a partir dali a viagem inteira acontece sem motor particular nenhum.
A travessia de barco leva cerca de meia hora até Encantadas ou até Nova Brasília, as duas vilas onde ficam as pousadas. O barco é de linha, com horários fixos ao longo do dia, e o último costuma sair no fim da tarde.
O ingresso da ilha é cobrado à parte. O Instituto Água e Terra, o IAT, opera a taxa de visitação do Parque Estadual da Ilha do Mel, paga por pessoa e sem relação nenhuma com o preço da passagem do barco.
A ilha é área de proteção e não tem rua de carro. Não existe táxi, não existe aplicativo, não existe transfer da pousada com bagageiro. O que existe é trilha de areia, passarela de madeira e carrinho de mão.
O carrinho é o transporte de bagagem da ilha inteira. Ele espera no trapiche, cobra por mala, e cobra de novo no dia da volta, quando a mala precisa refazer o caminho até o barco.
O comércio também obedece à geografia. Encantadas e Nova Brasília ficam em pontas opostas, separadas por trilha longa ou por outro barco, e o que você não comprou na vila onde dorme vira deslocamento pago.
Restaurante, mercadinho e pousada aceitam cartão na maioria dos casos, mas o carrinho, o barco entre vilas e as pequenas entradas cobram na hora, em dinheiro ou por transferência.
A conta que vem abaixo é de três dias e duas noites, para uma pessoa em pousada de casal, saindo de Curitiba de carro, com estrada, barco, taxa do IAT, hospedagem, comida e miudezas separados um do outro. Preço consultado em 22/08/2026.
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I A Conta da Viagem
R$ 506 por dia numa ilha sem carro
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Seis linhas fecham os três dias. Duas você resolve antes de embarcar, e as outras quatro só começam a cobrar depois que o barco encosta no trapiche.
Três dias na Ilha do Mel fecham em R$ 1.519 por pessoa, ou R$ 506 por dia. A conta considera uma pessoa em pousada de casal, carro particular saindo de Curitiba com as despesas divididas por dois, duas noites de hospedagem, comida, a travessia, o ingresso do IAT e as miudezas cobradas avulsas.
Estrada, R$ 105. Combustível de R$ 130 nos 190 quilômetros de ida e volta, mais R$ 80 de pedágio na BR-277, dividido por dois ocupantes do mesmo carro.
Barco, R$ 100. Ida e volta entre Pontal do Sul e a vila escolhida, cerca de R$ 50 por trecho, com meia hora de travessia em embarcação de linha.
Taxa do IAT, R$ 34. Ingresso de visitação do Parque Estadual, cobrado por pessoa no embarque e independente de quantos dias você fica na ilha.
Pousada, R$ 620. Duas noites em pousada de categoria intermediária dentro da vila, diária de casal em torno de R$ 620 com café da manhã. Dividida por dois, a noite sai a R$ 310.
Comida, R$ 450. Três dias a R$ 150, com almoço de R$ 85 em restaurante de vila e jantar de R$ 65 fora do trecho do trapiche. O café da manhã já vem na diária.
Miudezas, R$ 210. Três cobranças pequenas, feitas em pontos diferentes ao longo dos três dias, nenhuma delas prevista na reserva.
Carrinho de bagagem, ida e volta: R$ 60
Estacionamento em Pontal do Sul, três dias: R$ 90
Barco entre as duas vilas, ida e volta: R$ 60
Ficaram de fora o passeio de escuna, o aluguel de caiaque e a saída de mergulho. A conta é do trajeto mínimo entre a pousada, o farol, a fortaleza e a mesa.
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A pousada e a comida somaram R$ 1.070 por pessoa, e a estrada custou R$ 105. Ficar três dias na ilha saiu 10,2 vezes o que custou dirigir até a porta dela.
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Em proporção arredondada, a viagem se divide assim.
Pousada: 41% do total
Comida: 29%
Miudezas: 14%
Estrada: 7%
Barco: 7%
Taxa do IAT: 2%
As duas linhas de rotina, cama e mesa, valem 70% da viagem inteira. As quatro restantes cabem no que sobra.
Três variáveis mexem no total com força. Em que vila você dorme, porque atravessar de uma ponta à outra custa barco. Quantas malas você leva, porque cada uma paga carrinho duas vezes. E a data, porque janeiro e feriado prolongado dobram a diária e impõem mínimo de noites.
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II O Item Esquecido
Os R$ 344 que a reserva não cobre
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O barco, a taxa do IAT e as miudezas somaram R$ 344 por pessoa, e nenhum dos três aparece na reserva feita de casa. São compras fechadas na bilheteria do terminal, no guichê do órgão ambiental ou com quem empurra o carrinho no trapiche, quase sempre em dinheiro ou por transferência na hora.
O barco é a linha mais previsível das três. R$ 50 por trecho, cerca de meia hora de travessia, com saídas de hora em hora na alta temporada e intervalos maiores fora dela.
O horário é que cobra caro quando falha. Quem perde o último barco do fim da tarde dorme em Pontal do Sul e paga uma diária que não estava em lugar nenhum da conta original.
A taxa do IAT é a menor linha da viagem e a mais esquecida. São R$ 34 por pessoa de ingresso do Parque Estadual, pagos no embarque, com o dinheiro indo para a manutenção das trilhas, das passarelas e da fiscalização da área.
Ela não é diária. Paga uma vez, vale a estada inteira, e por isso pesa mais em quem vai passar o dia do que em quem fica três.
O carrinho de mão é a linha que mais surpreende quem chega. A ilha não tem rua de carro, e a mala percorre o trecho entre o trapiche e a pousada empurrada em carrinho de madeira, por cerca de R$ 30 por trajeto.
São duas cobranças garantidas, a da chegada e a da saída. Mala grande, mala extra ou pousada no fim da trilha somam mais, e quem carrega a própria bagagem na areia fofa descobre o preço de outro jeito.
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"Ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva."
Cecília Meireles, Ou Isto ou Aquilo, 1964
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A frase serve de régua para a ilha inteira. Dormir perto do trapiche encurta o carrinho e afasta o mar aberto; dormir no fim da trilha faz o contrário, e não existe o quarto que resolve as duas coisas ao mesmo tempo.
O estacionamento é a miudeza mais discreta da lista. Os pátios atrás do terminal de Pontal do Sul cobram cerca de R$ 30 por dia, R$ 90 nos três dias, com o carro parado do embarque ao desembarque.
Quem chega de ônibus troca uma linha por outra. A estrada de R$ 105 desaparece e entram a passagem de Curitiba até Pontal do Sul, perto de R$ 45 por trecho, com o embarque a poucos passos do terminal do barco.
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R$ 344 em barco, ingresso e miudezas, contra R$ 105 da estrada que atravessou os 95 quilômetros. Andar por dentro do destino custou 3,3 vezes o que custou chegar até a porta dele.
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Duas perguntas resolvem a linha antes de reservar qualquer coisa. Quantas malas você aceita empurrar por areia batida? E, entre o farol das Conchas e a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, qual das duas você faria se coubesse só uma?
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