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São Thomé das Letras em 3 dias, R$ 1.690 para o casal

A gasolina dos 320 km, a taxa das cachoeiras em terra particular e a pousada de pedra contra a barraca

Casas de pedra clara no alto da serra de São Thomé das Letras.

Casario de quartzito em São Thomé das Letras (MG)

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A 320 quilômetros de São Paulo, no sul de Minas, São Thomé das Letras ocupa o topo de uma serra a perto de 1.400 metros de altitude. Das lajes atrás da igreja matriz, o visitante vê os vales de Três Corações e de Conceição do Rio Verde sumirem numa faixa azul, com as fazendas de café miúdas lá embaixo.

A cidade inteira é de pedra. O chão, os muros, as casas e a própria matriz foram empilhados com lajes de quartzito (a rocha clara feita de grãos de areia colados pela pressão), a mesma vendida no país inteiro para borda de piscina com o rótulo de pedra São Tomé.

As pedreiras cercam a serra e dão emprego a uma parte grande dos moradores. Da estrada, o visitante passa por cortes brancos na encosta, pilhas de lajes cortadas em retângulo e caminhões carregados descendo devagar na primeira marcha.

As letras do sobrenome estão numa gruta a poucos passos da praça. Na rocha da entrada há inscrições rupestres (sinais pintados na pedra por povos antigos), em tinta avermelhada, que ninguém conseguiu ler até hoje.

A gruta também guarda a lenda de fundação. No século 18, segundo a história contada na cidade, um homem escravizado fugido se escondeu ali e achou uma imagem de São Tomé apoiada na pedra, ao lado dos sinais pintados.

Nos anos 1970, a cidade virou parada de mochileiros, místicos e caçadores de disco voador. A herança está na rua: lojas de cristal, bares com música ao vivo, a Casa da Pirâmide e conversas sobre túneis subterrâneos ligando a gruta a Machu Picchu.

Hoje São Thomé tem perto de 7 mil moradores e lota nos feriados. Numa semana comum, a praça da matriz fica quieta depois das 23h, e o frio da serra manda todo mundo para dentro cedo.

O roteiro desta edição é de um casal saindo de São Paulo de carro, por 3 dias, com preços consultados em 20/10/2026, numa semana sem feriado.

A conta começa no posto de gasolina, antes de a estrada deixar a Fernão Dias e subir a serra.

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I  A Conta da Viagem

O tanque, o pedágio e a porteira da cachoeira

Os gastos fora da pousada somam R$ 1.090 para o casal em São Thomé. A estrada leva R$ 520 dessa conta, e as cachoeiras e a comida ficam com os outros R$ 570.

Gasolina, R$ 450. São perto de 700 quilômetros ao todo: 640 de ida e volta a São Paulo e uns 60 rodados entre a cidade e as cachoeiras. Um carro médio faz em torno de 10 km por litro nesse trajeto, e o litro custa perto de R$ 6,40 nos postos da Fernão Dias.

A média cai no último trecho. A estrada que sai de Três Corações tem perto de 40 quilômetros de subida, com curva fechada e caminhão de pedra na frente, e o motor sobe quase toda a serra em segunda e terceira marchas.

O posto fica para trás antes da subida. A cidade tem bomba de combustível, mas o litro no alto da serra costuma sair acima do preço de Três Corações, e quem chega na reserva paga a diferença sem escolha.

Pedágio, R$ 70. A Fernão Dias cobra praças entre São Paulo e o sul de Minas nos dois sentidos. A tarifa por eixo é baixa, e o total da ida e da volta fica perto de R$ 70 para um carro de passeio.

Taxa das cachoeiras, R$ 120. Quase toda queda de água da região fica dentro de fazenda ou sítio particular. O dono abre a porteira, cuida da trilha e cobra a entrada, de R$ 15 a R$ 30 por pessoa, a depender da cachoeira.

A estrada de terra começa onde o asfalto da cidade acaba. Para chegar ao Vale das Borboletas e à Cachoeira da Eubiose, o carro desce trechos de cascalho solto e valeta aberta pela chuva, em que o carro baixo raspa o fundo.

Na chuva de verão, o barro fecha alguns desses caminhos por um dia inteiro. Em outubro a estrada costuma estar seca, mas a poeira sobe atrás de cada carro, e quem segue outro veículo anda com o vidro fechado.

Em São Thomé, a porteira da cachoeira cobra por pessoa, e o asfalto termina antes da água.

O pão de queijo da praça

Comida, R$ 450. Dois almoços, três jantares e os lanches da trilha somam perto de R$ 150 por dia para os dois. O prato feito com feijão tropeiro, couve e torresmo custa em torno de R$ 35 nos restaurantes das ruas de pedra.

À noite, as barracas da praça da matriz vendem caldo de mandioca e pão de queijo quente. O caldo chega em copo de isopor e esquenta as mãos enquanto a temperatura desce perto dos 12 graus.

 
 

II  O Item Esquecido

O casaco da noite de pedra

O item esquecido em São Thomé é o casaco grosso. Quem sai de São Paulo num dia quente de outubro leva camiseta e bermuda, e descobre na primeira noite a diferença de altitude.

A serra fica perto de 650 metros acima da capital paulista. A tarde pode passar dos 25 graus no sol, e a noite cai rápido para a casa dos 12, com vento correndo pelas ruas de pedra sem árvore para segurar.

O quartzito piora a sensação. A laje clara esquenta pouco durante o dia e devolve o frio à noite, e as casas antigas, de parede de pedra sem reboco, guardam a temperatura de dentro baixa até de manhã.

Casaco, R$ 180. As lojas da rua principal vendem blusa de lã e poncho de tear mineiro, com preço de cidade turística. Um casaco de moletom trazido de casa evita a compra e ocupa o mesmo espaço na mala.

O frio também manda no programa da noite. O pôr do sol da Pirâmide, a construção de pedra no alto da cidade onde o público se reúne, acontece com vento forte, e quem sobe de camiseta desce antes de o céu escurecer.

Em São Thomé, a tarde é de bermuda, e a noite pede o casaco da mala.

O tênis de sola grossa

Tênis de trilha, R$ 250. O segundo esquecido é o calçado. O quartzito lixado pela água fica liso como piso de cozinha, e as pedras da beira das cachoeiras escorregam com o limo verde.

A sandália de dedo serve para a praça e só. A descida até o poço da Eubiose e as escadas de pedra da Cachoeira Véu da Noiva pedem sola de borracha com sulco, presa no calcanhar.

Quem já tem o tênis em casa não gasta nada. Quem esquece compra na cidade, com pouca opção de número e preço acima da loja de estrada, e passa a primeira trilha com o calçado novo apertando o pé.

 

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III  Quanto Custa Dormir

A pousada da praça ou a barraca no camping

Duas noites numa pousada do centro histórico custam R$ 600 para o casal. O quarto de casal com café da manhã, em casa de pedra a duas quadras da matriz, cobra perto de R$ 300 por noite numa semana sem feriado.

A localização resolve o carro. O casal estaciona na chegada, sai a pé para a gruta, para a Pirâmide e para os bares, e só tira o veículo da vaga para ir às cachoeiras.

O silêncio depende da rua. Na sexta e no sábado, os bares da praça tocam até tarde, e o quarto virado para os fundos dorme melhor que o da janela da frente.

Duas noites de camping, R$ 200. Os campings da cidade cobram perto de R$ 50 por pessoa por noite, com banheiro coletivo, chuveiro quente e área de barraca no gramado. O casal leva a própria barraca, o saco de dormir e o isolante.

A diferença de R$ 400 tem custo de frio. A barraca no alto da serra amanhece úmida de sereno, e o saco de dormir de verão não segura a noite dos 12 graus sem o casaco por cima.

O camping também pede café próprio. O preço não inclui refeição, e o casal acrescenta pão, fruta e café da padaria, perto de R$ 30 por manhã, ainda bem abaixo da diferença para a pousada.

Em São Thomé, o camping economiza R$ 400 e cobra a noite fria em troca.

A ordem dos 3 dias

A pousada serve quem quer chegar, estacionar e esquecer o carro. O camping serve quem já tem equipamento e não se importa de acordar com o orvalho na lona.

1. Abasteça em Três Corações, antes da subida, e chegue à cidade com o tanque cheio.

2. No primeiro dia, visite a gruta e a matriz a pé e suba à Pirâmide antes do pôr do sol, já de casaco.

3. No segundo dia, pegue a estrada de terra cedo para o Vale das Borboletas e a Eubiose, com dinheiro trocado para a porteira.

4. No terceiro dia, faça a Véu da Noiva pela manhã e desça a serra antes do escuro.

Os 3 dias em São Thomé das Letras fecham em R$ 1.690 para o casal na pousada do centro: R$ 450 de gasolina, R$ 70 de pedágio, R$ 120 de taxa das cachoeiras, R$ 450 de comida e R$ 600 de duas noites com café da manhã, cotação de 20/10/2026. No camping, com o café de padaria somado, a mesma viagem cai para R$ 1.350. Repare na imagem do santo dentro da matriz.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Quem achou a imagem do santo na gruta de São Thomé, segundo a lenda contada na cidade?

★ RARO

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Segundo a edição, quanto o casal gastou em gasolina no roteiro de 3 dias até São Thomé das Letras?

AR$ 520, o total gasto na estrada
BR$ 450, com o litro a R$ 6,40
CR$ 70, o valor do pedágio
DR$ 1.090, o total fora da pousada

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