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Xapuri em 2 dias, R$ 890 para o casal

O ônibus desde Rio Branco, a casa de Chico Mendes, o frete até o Seringal Cachoeira e a noite no centro

Casa de madeira de Chico Mendes no centro de Xapuri, no Acre.

Casa de Chico Mendes, em Xapuri (AC)

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A 188 quilômetros de Rio Branco pela BR-317, no ponto onde o rio Xapuri entrega a água barrenta ao rio Acre, a cidade de Xapuri fica no alto de um barranco. Da rua da beira se veem as canoas de alumínio amarradas no porto e a mata fechada na margem em frente.

Xapuri é cidade pequena, de ruas que cabem numa manhã a pé. No começo do século 20 foi porto de borracha: o látex (a seiva branca da seringueira, matéria-prima da borracha) descia o rio em pélas, bolas defumadas que os barcos levavam até Manaus e Belém.

Numa casa de madeira simples do centro morou Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes, seringueiro (trabalhador que tira o látex da árvore) nascido em 1944 num seringal do próprio município.

Chico Mendes organizou os seringueiros contra a derrubada da floresta para abrir pasto. A forma de luta deles era o empate, uma corrente de famílias de mãos dadas na frente das motosserras, sem arma nenhuma.

Na noite de 22 de dezembro de 1988, ele saiu pela porta da cozinha para tomar banho no quintal e foi atingido por um tiro de escopeta. Tinha 44 anos. A casa virou museu e mantém os móveis da família no lugar.

Em 1990, o governo federal criou a Reserva Extrativista Chico Mendes, perto de 970 mil hectares de floresta onde as famílias vivem da coleta de borracha e de castanha sem derrubar a mata.

O Seringal Cachoeira fica a perto de 30 quilômetros da cidade, por um ramal (estrada de terra que sai da rodovia). Ali Chico Mendes cortou seringa, e ali os seringueiros seguraram a derrubada em 1988.

O roteiro desta edição é de um casal que sai de Rio Branco de ônibus num sábado de manhã, dorme uma noite em Xapuri e volta no domingo à tarde, com preços consultados em 25/10/2026.

A viagem pede a estação seca, de junho a outubro. Entre novembro e abril, a chuva transforma o ramal do seringal em lama, e o carro fretado pode não passar.

A conta tem quatro linhas: o ônibus, o frete até o seringal, um item que falta na mala e a noite no centro. A primeira começa no guichê da rodoviária de Rio Branco.

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I  A Conta da Viagem

O ônibus da BR-317 e o frete do ramal

Com o almoço no seringal, os dois dias custam R$ 890 para o casal. Ônibus, frete até o seringal, a noite na pousada e o almoço na comunidade formam a conta, e cada linha cobra de um jeito.

Ônibus, R$ 240. As linhas para Xapuri saem da Rodoviária Internacional de Rio Branco algumas vezes por dia. A viagem leva perto de três horas e meia pela BR-317, e a passagem custa perto de R$ 60 por pessoa em cada trecho.

O casal compra ida e volta no guichê, em Rio Branco. São poucas saídas por dia, e o ônibus de domingo à tarde chega cheio de gente que volta para a capital depois do fim de semana com a família.

A estrada passa por Senador Guiomard e Capixaba. No caminho, o pasto toma o lugar da mata, e no meio do capim aparecem castanheiras sozinhas, altas, sem nenhuma árvore em volta.

A castanheira tem corte proibido por lei federal desde 2006. O fazendeiro derrubou a floresta e foi obrigado a deixar a castanheira de pé, e a árvore ficou exposta ao sol e ao vento, longe dos animais que espalham a semente.

A visita guiada

O ônibus para perto do centro, e a casa de Chico Mendes fica a poucas quadras dali. A visita é guiada por moradores da cidade, que contam a história cômodo por cômodo, e não cobra ingresso.

Os móveis são os da família: a cama, a mesa da cozinha, os retratos na parede. O guia termina o percurso na porta da cozinha, de frente para o quintal onde Chico Mendes levou o tiro.

Em Xapuri, a visita mais cara do roteiro é a que não cobra ingresso.

O carro fretado

Frete, R$ 250. O ônibus não entra no ramal do Seringal Cachoeira. O casal combina um carro com motorista no centro, que leva, espera a manhã inteira e traz de volta, por perto de R$ 250 o dia.

São perto de 30 quilômetros, metade em asfalto e metade em terra batida. Na seca, o trecho de terra leva perto de uma hora; o motorista conhece as pontes de madeira e os buracos do caminho.

No seringal, um morador da comunidade guia a caminhada pela estrada de seringa, a trilha em laço que liga as seringueiras de um mesmo cortador. Ele mostra o talho na casca, a tigelinha que recolhe o látex e o defumador onde a seiva vira borracha.

Almoço na comunidade, R$ 200. O almoço servido na comunidade custa perto de R$ 100 por pessoa, com guia incluído. Galinha caipira, arroz, feijão, farinha e suco de fruta da mata chegam à mesa num barracão de madeira.

O frete pesa na conta, mas paga a manhã sem pressa. Quem tenta economizar e pega carona com moradores fica sem hora de volta e pode perder o ônibus de domingo.

 
 

II  O Item Esquecido

O dinheiro vivo do ramal

O item esquecido em Xapuri é o dinheiro em espécie. O casal leva cartão e celular, conta com o Pix e descobre no ramal que o sinal some antes do seringal.

No Seringal Cachoeira, o celular fica sem rede durante quase toda a manhã. O almoço da comunidade, o artesanato e a gorjeta do guia são pagos na mão, e não há caixa eletrônico no caminho.

Notas pequenas, R$ 300 na carteira. O casal saca o dinheiro ainda em Rio Branco ou no centro de Xapuri, em notas de R$ 10 e R$ 20. Troco para nota de R$ 100 quase nunca aparece no seringal.

O artesanato da comunidade é feito de couro vegetal, um tecido de algodão banhado em látex e defumado, que fica impermeável. Bolsas, carteiras e capas de caderno custam entre R$ 40 e R$ 150, todas pagas em dinheiro.

A bota de borracha

O segundo esquecido fica nos pés. A estrada de seringa é estreita, cheia de raízes e de folhas molhadas, mesmo na estação seca, porque a copa das árvores segura a umidade do chão.

O tênis de corrida escorrega e volta enlameado. Uma bota de borracha de cano médio, que custa perto de R$ 60 em casa, segura o pé nas raízes e entra nos igarapés (riachos estreitos de água da floresta) sem molhar a meia.

A manga longa

O terceiro é a camisa de manga longa e a calça leve. Na trilha, o mosquito pica de manhã, e as folhas de capim nas bordas do ramal cortam a pele exposta.

A roupa de manga longa também protege do sol no trecho de asfalto, quando o carro para no mirante do pasto. Junto com o repelente, ela poupa o casal da coceira na noite da pousada.

No seringal, o cartão fica na mochila e a nota de R$ 20 paga o almoço.

Somados, o dinheiro vivo, a bota e a manga longa cabem numa mochila pequena. Esquecidos, deixam o casal sem almoço, com o pé molhado e com a manhã cortada pela metade.

 

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III  Quanto Custa Dormir

A pousada a duas quadras da casa

Uma noite no centro de Xapuri custa perto de R$ 200 para o casal. As pousadas simples ficam a poucas quadras da casa de Chico Mendes e da beira do rio, com ar-condicionado e café da manhã.

O café chega com tapioca, cuscuz de milho, banana frita, queijo coalho e castanha-do-brasil. Ele segura o casal até o almoço no seringal, e a manhã começa sem gasto em padaria.

A pousada no centro tem uma vantagem além do preço. Fica perto do ponto do ônibus, dos motoristas de frete e dos restaurantes da praça, e o jantar de sábado sai a pé.

Centro ou seringal

O Seringal Cachoeira tem hospedagem dentro da floresta, em chalés de madeira, com diária de perto de R$ 450 para o casal e refeições à parte. Dormir no meio da mata tem o canto dos bichos ao amanhecer como parte do preço.

A diferença passa de R$ 250 numa noite só. E quem dorme no seringal precisa do frete na ida e na volta, mesmo sem o passeio da manhã, porque o ônibus não chega lá.

No centro, o casal faz a casa de Chico Mendes no sábado à tarde, janta perto do rio e sai cedo para o seringal no domingo. A volta para Rio Branco sai no fim da tarde, com o frete devolvido a tempo.

Em Xapuri, a pousada do centro paga o frete e devolve o tempo do ônibus.

A ordem dos dois dias

1. Compre a passagem de volta junto com a de ida, ainda em Rio Branco.

2. Saque R$ 300 em notas pequenas antes de pegar a estrada.

3. Visite a casa de Chico Mendes no sábado à tarde, depois do check-in.

4. Combine o frete na noite de sábado, com saída às 7h do domingo.

Dois dias em Xapuri custam R$ 890 para o casal na estação seca: R$ 240 de ônibus ida e volta desde Rio Branco, R$ 250 de frete até o Seringal Cachoeira, R$ 200 do almoço na comunidade e R$ 200 de uma noite no centro com café da manhã, sem as outras refeições, cotação de 25/10/2026.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Quem disparou a escopeta contra Chico Mendes no quintal da casa de Xapuri, em 1988?

 
 
Quiz da edição

Segundo a edição, quanto custa o frete de carro que leva o casal até o Seringal Cachoeira e espera a manhã inteira?

AR$ 200
BR$ 250
CR$ 240
DR$ 300

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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Dia 3 de 7 · a temporada de outubro fecha 31/10

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