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Capitólio pelos cânions, R$ 921 com oito a bordo
A lancha de Furnas dividida pelo grupo, as cachoeiras de porteira paga e a pousada contra a casa alugada
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Os cânions de Furnas, em Capitólio
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A 280 quilômetros de Belo Horizonte, na margem mineira do Lago de Furnas, a lancha entra num corredor de pedra tão estreito que o piloto reduz o motor ao mínimo, e a água verde fica parada entre dois paredões de quartzito (a rocha clara, dura e em camadas que forma os cânions).
O lago não existia até a década de 1960. A Usina Hidrelétrica de Furnas, inaugurada em 1963 no Rio Grande, represou a água e alagou vales inteiros no sudoeste de Minas. Onde havia rio encaixado entre rochas ficou um espelho largo, que os mineiros apelidaram de mar de Minas, e as antigas gargantas viraram passagem de barco.
Capitólio, cidade pequena do interior, virou a porta de entrada dos cânions. Dos píeres em volta dela saem as lanchas pelo lago, e é pelas estradas de terra da região que se chega às cachoeiras cercadas por complexos particulares, cada uma com bilheteria na porteira da fazenda.
O passeio tem uma cicatriz recente. Em 8 de janeiro de 2022, um bloco de rocha se desprendeu de um dos paredões sobre um grupo de lanchas paradas e deixou dez vítimas. A navegação ficou suspensa por dias e voltou com regras mais duras: as embarcações passaram a manter distância das paredes, e o passeio pode ser cancelado em chuva forte, quando o risco de queda de pedra sobe.
Mudou pouco a forma de cobrar. A lancha privativa não vende assento: ela cobra pelo barco e pelas horas, e quem ocupa os bancos divide a mesma nota. Por esse detalhe, a mesma viagem sai bem mais barata para um grupo grande do que para dois casais, sem que o roteiro mude um metro.
A conta a seguir cobre três dias e duas noites saindo de Belo Horizonte de carro, com a lancha, as cachoeiras pagas, a comida e a cama, calculada por pessoa para um grupo de quatro e para um grupo de oito. Valores consultados em 24/09/2026.
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I A Conta da Viagem
Um barco de R$ 900 dividido por quatro ou por oito
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Três dias em Capitólio saindo de Belo Horizonte custam R$ 1.083,50 por pessoa num grupo de quatro e R$ 921 num grupo de oito. A diferença de R$ 162,50 nasce de duas linhas só: a lancha e a hospedagem, as duas cobradas por unidade e não por cabeça.
Quatro amigos cabem num carro; oito pedem dois. Por essa conta, a estrada custa igual por pessoa nas duas versões, e a economia do grupo grande aparece só quando ele chega ao lago.
Estrada, R$ 88,50. São 560 quilômetros de ida e volta pela MG-050. Um carro que faz 12 quilômetros por litro gasta perto de 47 litros, cerca de R$ 294 com a gasolina a R$ 6,30, e paga perto de R$ 60 de pedágio. Os R$ 354 por carro, divididos por quatro ocupantes, dão R$ 88,50.
Lancha, R$ 225 ou R$ 112,50. O passeio privativo de três horas pelos cânions, com parada para banho, custa perto de R$ 900 pelo barco, com lugar para até oito passageiros e colete salva-vidas incluído. Com quatro a bordo, cada um paga R$ 225; com oito, R$ 112,50.
Cachoeiras, R$ 120. Três complexos de entrada paga: o da Cachoeira do Lobo, a R$ 30; a Trilha do Sol, a R$ 50; e o Paraíso Perdido, a R$ 40. Nessa linha o grupo grande não ganha nada, porque a bilheteria cobra por pessoa.
Hospedagem, R$ 350 ou R$ 300. Duas noites em pousada para o grupo de quatro e numa casa alugada para o de oito, com a conta aberta na seção III.
Refeições, R$ 300. Três dias a R$ 100: almoço de peixe de lago perto dos píeres, jantar no centro de Capitólio e o lanche nos quiosques das cachoeiras.
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Com quatro a bordo, a lancha custa R$ 225 por cabeça, quase o preço da comida dos três dias. Com oito, cai para R$ 112,50 e passa a custar menos que as três cachoeiras.
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A lancha compartilhada, vendida por assento, parece a saída para grupos pequenos. Ela cobra perto de R$ 120 por pessoa, mas segue roteiro fixo, junta desconhecidos e encurta a parada nos cânions ao tempo da fila de barcos. Para quatro pessoas, a privativa custa R$ 105 a mais por cabeça e compra o horário e o roteiro.
Oito também é o teto. O nono passageiro obriga a trocar por um barco de dez ou doze lugares, que cobra perto de R$ 1.300. Com dez a bordo, a conta volta a R$ 130 por pessoa, acima dos R$ 112,50 do barco cheio de oito.
A hora de pagar pesa na divisão. As empresas de passeio pedem sinal de 30% a 50% na reserva, e o grupo que desiste na véspera perde o sinal. Quem organiza a viagem costuma cobrar a parte de cada um antes de reservar, para não bancar sozinho a lancha dos que não vierem.
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II O Item Esquecido
O saco estanque que salva o celular na Cascatinha
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A lancha para na Cascatinha, uma queda d'água que desce pelo paredão dentro do cânion, e o piloto avisa: quem quiser, pode pular. Metade do grupo pula com o celular no bolso do short, e o lago de Furnas é escuro e fundo nos pontos de parada, de onde um aparelho caído não volta.
O item que falta na mochila custa perto de R$ 40 nas lojas de Capitólio: o saco estanque (bolsa de lona impermeável que se fecha enrolando a boca três vezes e prendendo com fivela). Nele cabem celular, chave do carro, documento e cartão, e ele boia se cair na água.
A capinha plástica de pescoço, vendida a R$ 15 nos píeres, protege da chuva e do respingo, mas não do mergulho. A costura cede sob a pressão da água, e o aparelho sai molhado mesmo com a trava fechada.
O saco estanque resolve um segundo problema da lancha: o vento. Em velocidade no lago aberto, boné, óculos e toalha voam, e o piloto não volta para buscar. Tudo que não está preso vai para dentro da bolsa antes de o barco deixar o píer.
A porteira sem sinal
O outro esquecido é o dinheiro. As cachoeiras pagas ficam em estradas de terra, dentro de fazendas com bilheteria na porteira, e o sinal do celular falha em boa parte delas. O Pix que não carrega vira fila parada no sol.
Levar R$ 120 por pessoa em espécie, o valor das três entradas, evita voltar à cidade só para pagar. Alguns complexos têm maquininha de cartão ligada ao wi-fi da bilheteria, mas nem todos, e a regra de cada um muda de uma temporada para outra.
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"Minas são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais."
João Guimarães Rosa, Minas Gerais, 1957
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O celular que cai no Lago de Furnas não volta, e a porteira da cachoeira não aceita Pix sem sinal: os dois esquecidos se resolvem com R$ 40 de bolsa e R$ 120 em notas.
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O terceiro item vale para as trilhas. O quartzito fica liso e escorregadio na beira das quedas, e o chinelo solta no primeiro degrau molhado. Uma sapatilha de água, perto de R$ 50, aguenta a descida da Trilha do Sol, que passa por uma sequência de poços, e seca no painel do carro até a cachoeira seguinte.
Somados, os três itens custam R$ 90 por pessoa, sem contar o dinheiro em espécie, que é gasto e não comprado. Ficam fora da conta da seção I porque servem em outras viagens de água doce, e a bolsa dura anos.
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