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Itaúnas em 3 dias, R$ 1.643 o casal

A van desde Conceição da Barra, a diária de janeiro contra a de setembro, as dunas do parque e o couvert do forró

Dunas altas de Itaúnas ao entardecer, com a restinga e os telhados da vila à beira do rio.

Dunas de Itaúnas, no norte do Espírito Santo

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A 18 graus e 25 minutos de latitude sul, perto de 23 quilômetros ao norte de Conceição da Barra, a Vila de Itaúnas fica espremida entre o Rio Itaúnas e um cordão de dunas que chega a 30 metros de altura. Do alto da maior delas se vê o mar aberto a leste e, a oeste, os telhados baixos da vila.

A vila que se vê hoje é a segunda. A primeira ficava mais perto da praia, na margem do rio, com casas de taipa, armazém, campo de futebol e a igreja que os moradores ainda chamam de igreja velha.

Entre as décadas de 1950 e 1970, a areia avançou sobre ela. A restinga (a vegetação rasteira de praia que segura a areia no lugar) foi derrubada para lenha e roça, e o vento nordeste passou a empurrar as dunas sem nada que as segurasse.

As famílias desmontaram o que dava para carregar, atravessaram o rio e levantaram casas novas na outra margem. O povoado antigo sumiu inteiro debaixo do areal, com ruas, quintais e cemitério.

A igreja ficou para trás. Moradores antigos contam que a ponta da torre ficou à mostra por anos; hoje não aparece nada, e ninguém mediu a que profundidade o prédio está, porque nunca houve escavação no local.

Em 1991, o governo do Espírito Santo criou o Parque Estadual de Itaúnas, que protege as dunas, a restinga e a faixa de praia em volta da vila. A gestão cabe ao IEMA (Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos), que mantém a sede do parque na própria vila.

Na mesma época, o forró pé de serra (o forró tocado só com sanfona, zabumba e triângulo) tomou os bares da rua principal, e Itaúnas virou destino de quem viaja para dançar até de madrugada.

A conta a seguir cobre três dias e duas noites de um casal que chega de ônibus a Conceição da Barra na sexta de manhã, sobe as dunas no sábado e volta no domingo à tarde. Valores consultados em 08/10/2026, para viagem em novembro de 2026, fora de feriado.

O primeiro gasto da viagem é a estrada de terra que liga a cidade à vila.

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I  A Conta da Viagem

A van da Barra até a vila

Três dias em Itaúnas custam R$ 1.643 para um casal que chega de ônibus. A passagem desde Vitória pesa um quinto da conta, e a van até a vila quase não aparece nela.

Ônibus, R$ 360. A linha intermunicipal liga a rodoviária de Vitória a Conceição da Barra em perto de 4h30, pelos 250 quilômetros da BR-101. A passagem custa perto de R$ 90 por pessoa em cada trecho.

Van, R$ 48. Na rodoviária de Conceição da Barra, a van para Itaúnas sai algumas vezes por dia e cobra perto de R$ 12 por pessoa. Os 23 quilômetros levam perto de 40 minutos, boa parte em estrada de terra entre plantações de eucalipto.

A última saída da tarde é a que pesa. Quem perde a van paga táxi, perto de R$ 100 o trecho, e o horário muda conforme a estação: o casal confere a tabela no guichê assim que desce do ônibus.

Guia das dunas, R$ 100. A entrada do Parque Estadual de Itaúnas é gratuita. O que se paga é o guia credenciado, que cobra perto de R$ 100 pelo grupo e leva até as dunas altas e ao trecho onde ficava a vila soterrada.

A subida começa na praça da vila e atravessa a restinga por uma trilha de areia fofa. Do topo, o guia aponta onde ficavam a rua principal e a igreja velha, hoje só areal.

No caminho aparecem as plaquinhas do parque que proíbem descer a duna de prancha ou de bugre. A restinga replantada ao pé da areia é a mesma vegetação cuja derrubada enterrou a vila, e o guia pede para ninguém pisar fora da trilha marcada.

A areia esquenta rápido. Depois das 10h, o pé descalço queima no topo da duna, e a caminhada rende mais às 7h ou depois das 16h, com o sol baixo sobre o mar.

A entrada do parque não custa nada: o que se paga é o guia que sabe onde ficava a vila enterrada.

A mesa da vila

Comida, R$ 540. O casal gasta perto de R$ 180 por dia. O prato feito com peixe, arroz, feijão e salada sai por perto de R$ 35 por pessoa nos restaurantes da rua principal.

A moqueca capixaba (feita sem dendê e sem leite de coco, só com peixe, tomate, cebola, coentro e urucum) custa perto de R$ 140 para dois. Ela chega à mesa fervendo na panela de barro preta.

A panela vem de Vitória, do bairro de Goiabeiras, onde as paneleiras moldam o barro à mão e queimam a peça a céu aberto. O ofício das Paneleiras de Goiabeiras foi registrado como patrimônio imaterial pelo IPHAN em 2002.

 
 

II  O Item Esquecido

O repelente das cinco da tarde

O item que falta na mala de quem vai a Itaúnas é o repelente forte. Ao entardecer, o maruim (mosquito-pólvora, inseto de poucos milímetros que pica sem fazer barulho) sobe da beira do rio e da restinga.

A picada coça por dias e aparece em grupo, no tornozelo e na nuca. O inseto é tão pequeno que atravessa a tela comum de janela, e a pousada sem ar-condicionado sente primeiro.

O repelente com icaridina (o princípio ativo dos repelentes de farmácia de longa duração) segura o maruim por mais horas que o de citronela. O frasco custa perto de R$ 35.

Repelente, R$ 35. O mercadinho da vila tem estoque curto e preço de praia. O frasco comprado na cidade de origem chega inteiro ao fim de semana.

A farmácia mais próxima fica em Conceição da Barra, a 40 minutos de van. Quem esquece o frasco e já tem picada na pele gasta a ida e a volta, mais R$ 24 de passagem para o casal, só para comprar a pomada.

Três cuidados ajudam o repelente: vestir calça leve e manga comprida depois das 17h, evitar a beira do rio no fim de tarde e passar o produto outra vez depois do banho de mar.

O frasco de R$ 35 decide se a noite de forró termina na pista ou coçando o tornozelo na pousada.

O forró da madrugada

Couvert, R$ 120. Os bares de forró cobram couvert artístico (a taxa que paga a banda) de perto de R$ 30 por pessoa por noite. O casal dança sexta e sábado.

O baile começa tarde. A banda sobe ao palco depois das 23h e toca até de madrugada, com sanfona, zabumba e triângulo, o trio que dá ao forró pé de serra o seu som.

Quem nunca dançou acha aula no começo da noite em alguns bares da rua principal. O passo básico, dois pra lá e dois pra cá, se aprende antes da primeira cerveja.

Em julho, a vila recebe o Festival Nacional de Forró de Itaúnas, com bandas do Nordeste e do Sudeste. Nessa semana o couvert sobe, a vila lota e as pousadas vendem pacote fechado.

 

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III  Quanto Custa Dormir

A diária de janeiro contra a de setembro

Uma pousada de casal na Vila de Itaúnas sai por R$ 220 a diária, em média, em setembro, com café da manhã e ventilador. Em novembro, fora de feriado, o preço se mantém, e duas noites somam R$ 440.

Em janeiro, a mesma pousada cobra perto de R$ 480 a diária, e muitas exigem mínimo de três noites. Na virada do ano, o pacote fechado passa de cinco noites.

A diferença pesa na conta. Duas noites em janeiro somam R$ 960, R$ 520 acima de setembro, quase o valor das passagens de ônibus do casal.

O que janeiro entrega em troca é o mar mais morno, a vila cheia e forró todas as noites da semana. Setembro traz vento nordeste, água mais fria, ruas vazias e baile só na sexta e no sábado.

A diária de R$ 220 em setembro paga quase duas noites pelo preço de uma em janeiro.

A rua dos bares e a beira do rio

A localização dentro da vila também conta. As pousadas da rua principal ficam a poucos passos dos bares, e o forró atravessa a parede até perto das 4h.

As pousadas da beira do rio, a duas ou três quadras do centro, cobram o mesmo e dormem em silêncio. Em troca, ficam mais perto do maruim no fim de tarde.

A praia não fica na vila. Para chegar ao mar, o casal atravessa as dunas a pé por perto de 1 quilômetro, ou segue pela ponte sobre o rio até a trilha da Praia de Itaúnas.

1. Confira na rodoviária o horário da última van para a vila.

2. Reserve a pousada na beira do rio, longe do som dos bares.

3. Suba as dunas às 7h, com o guia credenciado do parque.

4. Passe o repelente antes das 17h, todos os dias.

“Vale trocar o mar morno de janeiro pela vila vazia de setembro?”

Três dias em Itaúnas custam R$ 1.643 para o casal: R$ 360 de ônibus desde Vitória, R$ 48 da van, R$ 100 do guia das dunas, R$ 440 de duas noites com café, R$ 540 de comida, R$ 120 de couvert e R$ 35 do repelente, cotação de 08/10/2026.

 
 
Quiz da edição

Em que ano o governo do Espírito Santo criou o Parque Estadual de Itaúnas, a área que protege as dunas e a restinga ao redor da vila?

A1976
B2002
C1991
D1985

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