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São Francisco do Sul em 3 dias, R$ 1.444 para o casal

O museu dos barcos, o estacionamento da orla, a balsa da Vila da Glória e as duas diárias

Casarões coloniais do centro histórico de São Francisco do Sul, Santa Catarina.

Centro histórico de São Francisco do Sul (SC)

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A 200 km de Curitiba e a poucos metros acima do mar, São Francisco do Sul ocupa uma ilha na boca da Baía da Babitonga, no norte de Santa Catarina. Da janela dos casarões da Rua Babitonga se veem os barcos de pesca ancorados, os navios do porto e o mangue na margem norte da baía.

A ilha encosta no continente. Um canal estreito, o Linguado, separa a terra firme do município, e a BR-280 cruza a água por um aterro antes de chegar à cidade, sem ponte alta nem balsa obrigatória no caminho de ida.

O trajeto desde Curitiba leva perto de duas horas e meia de carro. Desce a Serra do Mar pela BR-376, segue pela BR-101 até Araquari e entra na BR-280 rumo ao leste, com duas praças de pedágio antes da ilha.

A cidade se apresenta como a terceira mais antiga do Brasil. O navegador francês Binot Paulmier de Gonneville ancorou na baía em 1504, e o povoado português se firmou em 1658, com igreja, cadeia e casas de comércio voltadas para a água.

Em 1987, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o órgão federal que protege prédios antigos) tombou o centro histórico: mais de 400 imóveis passaram a depender de licença federal para trocar uma janela ou pintar uma fachada.

O roteiro desta edição é de um casal que sai de Curitiba de carro na sexta de manhã, dorme duas noites na ilha e volta no domingo à tarde, com preços consultados em 30/10/2026.

A conta tem sete linhas: o pedágio, a gasolina, o ingresso do Museu Nacional do Mar, o estacionamento da orla, a balsa da Vila da Glória, as duas diárias e a comida. A primeira escolha aparece antes da reserva: dormir entre os casarões do centro ou de frente para a areia da Praia de Ubatuba, a 15 km dali.

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I  A Conta da Viagem

O museu dos barcos e a orla

Os três dias em São Francisco do Sul custam R$ 1.444 para o casal. Pedágio, gasolina, museu, estacionamento, balsa, duas noites de pousada no centro histórico e as refeições formam a conta, sem agência nem guia.

Pedágio, R$ 24. A BR-376 e a BR-101 cobram em duas praças entre Curitiba e Araquari, perto de R$ 6 cada uma por sentido para carro de passeio. O casal paga as duas na ida e as duas na volta.

Gasolina, R$ 245. Somados os 400 km de ida e volta e os 60 km de idas e vindas entre o centro e as praias, o carro roda perto de 460 km. Um modelo popular gasta perto de 38 litros, a R$ 6,40 o litro nos postos de Joinville e da ilha.

A estrada da serra concentra o risco do trajeto. Na BR-376, a descida tem curvas fechadas e neblina nas manhãs de inverno, e a volta de domingo à tarde enche de carros vindos das praias de Santa Catarina.

O museu dos barcos

Museu, R$ 40. O Museu Nacional do Mar cobra perto de R$ 20 por pessoa e ocupa os antigos armazéns da Companhia de Navegação Hoepcke, galpões de tijolo na beira da baía, a duas quadras da Igreja Matriz.

O acervo reúne barcos brasileiros originais, em tamanho real: canoas de um tronco só, jangadas do Nordeste, saveiros da Bahia e baleeiras catarinenses. Ao lado de cada barco, maquetes e ferramentas mostram como os pescadores construíam e consertavam o casco.

A visita leva perto de duas horas a pé. As salas acompanham a costa do Norte ao Sul, e a última mostra a pesca artesanal da própria Babitonga, com as redes e as canoas de voga usadas pelos pescadores da ilha.

Em São Francisco do Sul, os barcos do Brasil inteiro cabem em um armazém de tijolo na beira da baía.

A orla e o carro

Estacionamento, R$ 60. Nas praias da ilha, os terrenos particulares em frente à areia de Ubatuba e da Enseada cobram perto de R$ 20 por dia. O casal estaciona no centro sem pagar, na rua da pousada, e paga o terreno nos três dias de praia.

O centro histórico pede carro parado. As ruas de pedra são estreitas, as calçadas têm meio metro, e os casarões da Rua Babitonga, a Igreja Matriz e o museu ficam a menos de dez minutos a pé uns dos outros.

A soma do primeiro bloco fica em R$ 369: R$ 24 de pedágio, R$ 245 de gasolina, R$ 40 de museu e R$ 60 de estacionamento levam o casal de Curitiba à areia de Ubatuba.

 
 

II  O Item Esquecido

O repelente na fila da balsa

O item esquecido em São Francisco do Sul é o repelente. O casal arruma protetor solar, toalha e chapéu, e só descobre a falta do repelente na fila da balsa da Vila da Glória, cercado pelo maruim (o mosquito minúsculo do mangue, quase invisível, de picada ardida).

A Vila da Glória é um distrito da cidade na margem norte da Babitonga. A balsa liga a ilha à vila em perto de 20 minutos de travessia, e da vila uma estrada de chão e asfalto segue até Itapoá e Garuva, na BR-101.

Balsa, R$ 25. A travessia do carro com o casal custa perto de R$ 25 por sentido. O roteiro usa a balsa só na volta de domingo: o casal cruza a baía, almoça em Itapoá e retoma a BR-101 em Garuva, sem refazer a BR-280.

A fila se forma no fim da manhã e no fim da tarde, quando o vento para e o mangue esquenta. É a hora em que o maruim sai das raízes, e quem espera com a janela aberta volta com os braços cobertos de pontos vermelhos.

O horário anotado

O segundo esquecido é a tabela de horários da balsa. A embarcação sai de hora em hora durante o dia, e a última travessia da noite deixa a ilha no começo da noite: quem perde a última dorme mais uma vez na ilha ou volta pela BR-280.

Anote o horário na pousada, com sinal de celular. Na estrada da Vila da Glória o sinal cai, e o trecho de chão até Itapoá tem perto de 20 km sem posto.

O casaco da travessia

O terceiro é o casaco leve. Na balsa, o vento da baía corta mesmo em dia de sol, e a travessia é feita do lado de fora do carro, no convés, com vista para os casarões do centro.

O quarto é o dinheiro trocado. Os pescadores da Vila da Glória vendem camarão e ostra na rampa da balsa, e a maior parte das barracas recebe em dinheiro.

Somados, o repelente, a tabela, o casaco e o dinheiro custam quase nada em casa. Esquecidos, deixam o casal picado na fila, preso na ilha à noite ou sem o camarão da rampa.

 

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III  Quanto Custa Dormir

O casarão contra a areia

A diária de pousada no centro histórico custa perto de R$ 300 para o casal. As pousadas ocupam casarões tombados da Rua Babitonga e das ruas de trás da Matriz, com café da manhã incluído e janela para a baía.

A Praia de Ubatuba fica a 15 km do centro, na costa leste da ilha, voltada para o mar aberto. Ali a diária de pousada de frente para a areia custa perto de R$ 380 para o casal, também com café da manhã.

A diferença dá R$ 160 nas duas noites. A pousada do centro poupa a diária e deixa o museu, os restaurantes e a balsa a pé ou a poucos minutos de carro; a de Ubatuba poupa o estacionamento da orla e a estrada até a praia.

As semanas de casa cheia

A diária sobe de dezembro a fevereiro, quando as praias da ilha recebem os veranistas de Curitiba e de Joinville. Em janeiro, as pousadas de Ubatuba pedem pacote mínimo de três noites e cobram perto do dobro.

Fora do verão, de março a novembro, a ilha fica calma. O centro histórico segue com movimento no fim de semana por causa do museu e dos restaurantes, e a diária da Rua Babitonga varia pouco entre maio e outubro.

Em São Francisco do Sul, o casarão tombado custa R$ 80 a menos por noite e pede só 20 minutos de carro até Ubatuba.

O almoço e o jantar

Comida, R$ 450. Os restaurantes do centro e das praias servem camarão ao bafo, ostra da Babitonga, sequência de frutos do mar e peixe frito com pirão, a perto de R$ 45 por pessoa a refeição. O casal faz três almoços e dois jantares, com o café da manhã incluído na diária.

A ordem dos três dias

1. Saia de Curitiba às 8h da sexta, desça pela BR-376 e entre na ilha pela BR-280.

2. Faça o check-in no centro, almoce na Rua Babitonga e visite o Museu Nacional do Mar à tarde.

3. No sábado, passe o dia na Praia de Ubatuba e na Enseada, com o carro no estacionamento da orla.

4. No domingo, guarde o repelente no porta-luvas e pegue a balsa da Vila da Glória no meio da manhã.

5. Almoce em Itapoá e volte a Curitiba pela BR-101 e pela BR-376 antes das 16h.

Os três dias em São Francisco do Sul custam R$ 1.444 para o casal: R$ 24 de pedágio de ida e volta, R$ 245 de gasolina para 460 km, R$ 40 de ingresso no Museu Nacional do Mar, R$ 60 de estacionamento na orla, R$ 25 de balsa na Vila da Glória, R$ 600 de duas noites de pousada no centro com café da manhã e R$ 450 de três almoços e dois jantares, cotação de 30/10/2026.

 
 
 

Quiz da edição

Em que ano o Iphan tombou o centro histórico de São Francisco do Sul, obrigando mais de 400 imóveis a pedir licença federal até para trocar uma janela?

A1958
B1975
C1987
D2001

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